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Lume Brando

27
Dez19

Barritas de sésamo e cacau [Diz-me o que lês #22]

Barritas de sésamo e cacau

O livro de cozinha da Marta

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #22

"A Cozinha da Marta - Uma forma de amar" - Marta Horta Varatojo - Marcador

 

Este não é um livro recente. Foi lançado em 2015, já vai na 4ª edição, e há muito que o cobiçava quando o via nas livrarias. Quem me segue, sabe que não sigo a filosofia e o estilo de vida macrobiótico, que é o apresentado neste livro. No entanto, sou curiosa e gosto de saber mais sobre todos os tipos de regimes alimentares.

 

Sempre que passava pelo livro, ficava seduzida pela capa colorida e pela beleza da Marta, visível na pequena fotografia da capa. Por isso, quando criei esta rubrica, sabia que seria um dos que passariam por aqui.

 

"O Livro de Cozinha da Marta - Uma forma de amar" é um livro que tem tanto de técnico (com vários textos de Francisco Varatojo, pai da autora e fundador do Instituto Macrobiótico de Portugal, que infelizmente faleceu em 2017), como de empírico e pessoal, no sentido de nas suas páginas transparecerem o amor e a gratidão da autora pela cozinha, pela família e pelas pessoas que a rodeiam e também por partilhar connosco a sua história de vida.

 

O livro de cozinha da Marta

 

É impossível não gostar da Marta e deste livro, quando, logo no início, se pode ler "Sou macrobiótica desde que nasci, mas acima de tudo sou uma pessoa que gosta de comer! Os rótulos podem tornar-se perigosos em mentes mais inflexíveis, levando a uma abordagem rígida e pouco divertida. Eu sou completamente a favor de sermos sensatos e flexíveis. Não gosto de falar em alimentos proibidos; há alimentos que são bons para serem consumidos diariamente, outros para o serem mais ocasionalmente, e há ainda a categoria de alimentos para os dias de festa."

 

Não podia concordar mais. Mas, afinal, em que consiste a macrobiótica? No livro, é-nos explicado que é mais do que uma dieta ou um regime alimentar, ou seja, é um estilo de vida que pretende desenvolver o nosso potencial humano pela observância das leis da Natureza, dos pontos de vista biológico (alimentação), ecológico (ambiente), social e espiritual (amor e compaixão).

 

A palavra é de origem grega, com macro a significar "grande" e "bio" a significar "vida", remetendo então a macrobiótica para "a capacidade de vivermos a vida de uma forma grandiosa e magnífica". Também neste livro ficamos a saber que, na era moderna, o conceito da "macrobriótica" apareceu pela primeira vez no século XVIII, no livro "Macrobiótica ou a Arte de prolongar a vida", da autoria de Christoph Von Hufeland, médico de Goethe.

 

Um dos aspetos interessantes da macrobiótica é o entendimento de que este estilo de vida é flexível e versátil, adaptando-se às diferentes fases e diferentes necessidades de cada pessoa a cada momento. Um ponto comum e constante, no entanto, é o papel dos cereais integrais e dos vegetais, considerados os alimentos "mais adaptados à espécie humana e, consequentemente, aqueles que mais ajudam a criar e a manter a saúde".

 

Outro princípio fundamental da macrobiótica é a bipolaridade ou a teoria do yin e yang. Esta defende que "todos os fenómenos, alimentos incluídos, têm qualidades energéticas, metafísicas",  sendo apenas possível atingir a harmonia se equilibrarmos esses dois pólos - yin e yang - nas nossas vidas.

 

O livro de cozinha da Marta

 

O livro desenvolve estes conceitos com alguma profundidade, mostra-nos a "Pirâmide da alimentação macrobiótica", assinala a diferença entre macrobiótica e vegetarianismo, fala-nos do tipo de energia associado a cada tipo de alimentos, descreve alguns dos ingredientes mais usados (incluindo alguns 'medicinais') e elenca algumas técnicas culinárias, dicas e truques.

 

Tudo isto, antes de passarmos às receitas. Estas surgem agrupadas nos seguintes capítulos:

  • Pequenos-almoços
  • Lanches e Snacks
  • Sopas
  • Cereais Integrais
  • Leguminosas
  • Tofu/Seitan/Tempeh
  • Algas
  • Vegetais/Saladas/Pickles
  • Condimentos/Molhos/Maioneses
  • Sobremesas
  • Menus festivos
  • Chás e bebidas medicinais

 

Ao todo, são 106 receitas (se não me enganei a contá-las!) muito variadas dos pontos de vista do tipo de refeição e ingredientes utilizados, ainda que, na sua maioria, sejam receitas vegetarianas e vegan, uma vez que estas estão na base de uma alimentação macrobiótica, ainda que esta não exclua totalmente os alimentos de origem animal.

 

Gostei bastante do livro e fiquei com vontade de experimentar diversas receitas, a única falha que tenho a apontar é o facto das receitas não mencionarem o "rendimento", ou seja, o número de doses ou número de pessoas a que se destinam. Na verdade, as receitas do livro não apresentam qualquer ficha técnica (tempo necessário, nivel de dificuldade, etc.), mas para mim é do número de doses/pessoas a indicação de que sinto mais falta.

 

Resumindo: "O livro de cozinha da Marta" é um livro autêntico. Nota-se que foi feito com muito empenho e dedicação pela Marta, com a ajuda do pai. As fotos dos pratos são da própria Marta, que enriqueceu quase todas as receitas com notas pessoais ou sugestões. Para quem quiser saber mais sobre macrobiótica, este é, sem dúvida, um livro a ter em conta. 

 

Saber mais sobre o livro/comprar o livro >>> Livraria Bertrand

 

Barritas de sésamo e cacau

Barritas de sésamo e cacau

BARRITAS DE SÉSAMO E CACAU
Receita original no livro "A Cozinha da Marta - Uma forma de amar", de Marta Horta Varatojo

 

Rendeu-me cerca de 16 barritas

1 chávena* de sementes de sésamo

1 chávena* de arroz tufado (usei de chocolate)

1 colher de sopa de cacau em pó

50 g de chocolate negro

3 colheres de sopa de sultanas

1 colher de sopa de coco ralado

4 colheres de sopa de geleia de arroz (usei xarope de agave)

*chávena com 250 ml de capacidade

 

Lavar as sementes de sésamo (eu coloquei num coador de malha fina e passei por água corrente) e levá-las ao lume numa frigideira antiaderente em lume alto, para secar e tostar (deve demorar uns 10-15 minutos).

Numa frigideira grande, levar o xarope ao lume e, quando fervilhar, juntar todos os ingredientes à exceção do cacau e do chocolate negro.

Retirar do lume e adicionar o chocolate partido em pedacinhos e o cacau, envolvendo bem (o chocolate deverá derreter com o calor remanescente).

Espalhar esta mistura sobre uma folha de papel vegetal, colocar outra folha por cima e espalmar com um rolo de cozinha até obter uma espécie de retângulo com uma espessura uniforme (1 cm de altura ou um pouco menos).

Deixar arrefecer completamente.

Com uma faca bem afiada, cortar em barras.

Pode embrulhar-se individualmente em película aderente e temos um snack pronto a levar.

 

MAIS RECEITAS COM CHOCOLATE SAUDÁVEIS:

 

12
Dez19

Bolachas de banana e chocolate no micro-ondas [Diz-me o que lês #20]

Bolachas na caneca

Bolachas na caneca

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #20

"Bolachas na Caneca" - Christelle Huet-Gomez - Editorial Presença

 

Enquanto viciada em livros de cozinha, gosto de ter todo o género desta 'literatura' nas minhas prateleiras. Mas nem todos os livros têm a mesma importância nem exercem todos o mesmo fascínio sobre mim. Num ranking de utilidade e pertinência, este "Bolachas na Caneca", de Christelle Huet-Gomez, teria de ficar para trás.

 

O livro é bonito, gosto das fotografias e o conceito é original* (apesar de achar que, quando se pensa em bolachas, é impossível pensar numa só!). Acontece que depois de ver as receitas fiquei um pouco reticente. Parecem-me muito calóricas. Se não, vejamos: uma bolacha, que pode dar para duas pessoas, leva em média 1 fatia de manteiga com 1/2 cm de espessura, 1 gema, 2 colheres de sopa de açúcar e 3 colheres de sopa de farinha. São colheres rasas, é certo, mas mesmo assim parece-me too much, para comer assim de enfiada...

 

Bolacha na caneca

 

 

As conjugações de sabores são interessantes e variadas e vão do clássico chocolate + frutos secos ou limão + mirtilos, às bolachas de chá matcha, de maçã assada ou red velvet. E ainda há quatro receitas de bolachas salgadas. No total, são 35 receitas de "bolachas" para fazer numa caneca e cozer num minuto no micro-ondas. Não deixa de ser um conceito castiço e prometedor, mas tenho dúvidas de que haja muitas situações em que queiramos fazer uma bolacha na caneca. Se calhar em férias, se estamos num local sem forno, apenas com  micro-ondas; ou se quisermos dar alguma autonomia aos mais novos, que, tenho a certeza, são quem se irá divertir mais a fazer estas bolachas.

 

A ideia é comer as bolachas à colher, ainda mornas. Em todo o caso, depois de arrefecidas e apesar da textura ficar mais firme (parecida com um scone frio), continuam saborosas. Pelo menos estas, de banana, aveia e chocolate, cuja receita, que adaptei para torná-las (um pouco) menos pecaminosas, segue mais abaixo.

 

Resumindo: "Bolachas na Caneca" é um livro de receitas com um tema muito específico, que talvez tenha pouca utilidade numa cozinha de alguém experiente. Apresenta fotografias e design gráfico apelativo, podendo fazer as delícias de quem sofre desejos repentinos por doces: afinal, cada bolacha demora apenas 5 minutos a preparar e a ficar pronta.

 

Saber mais sobre o livro, incluindo o preço >>> Livraria Bertrand**

 

*Da mesma coleção, existe também o "Bolos na Caneca" e o "Bolos Salgados na Caneca", ambos de Lene Knudsen.

**Link afiliado

Bolacha na caneca

BOLACHAS DE BANANA E CHOCOLATE

Feitas em canecas, chávenas ou ramekins, no micro-ondas

Adaptado do livro "Bolachas na Caneca", de Christelle Huet-Gomez

 

Para 3

15 g de manteiga + alguma para untar

2 colheres de sopa de açúcar amarelo

2 gemas L

5 colheres de sopa de farinha sem fermento

3 colheres de sopa de flocos de aveia

1 banana pequena

3 colheres de sopa de pepitas de chocolate

 

Unte com manteiga 3 chávenas ou ramekins.

Numa taça, coloque a manteiga derretida e junte, sucessivamente, o açúcar, as gemas, a farinha e a aveia. Mexa.

Reserve 9 rodelas finas de banana e corte a restante banana em pedacinhos, misturando estes ao preparado anterior.

Por fim, junte as pepitas.

Com as mãos, forme uma espécie de rolo grosso de massa e divida em três.

Dê a forma de um disco a cada pedaço e insira-os nas respetivas chávenas, canecas ou ramekins.

Leve uma bolacha a cozer de cada vez no micro-ondas, programando 1 minuto a 800 watts ou 50 segundos a 1000 watts.

Coma-as à colher ainda mornas, ou desenforme passado alguns minutos e coma/sirva já frias.

 

MAIS RECEITAS COM CHOCOLATE:

 

 

06
Dez19

Panquecas de trigo-sarraceno [Diz-me o que lês #19]

Panquecas de trigo-sarraceno

Livro Sabores do Viajante

Mais uma semana, mais um livro para descobrir. E 'descobrir' é mesmo a palavra certa, uma vez que o #Dizmeoquelês desta semana é sobre um livro que, para além de receitas, oferece-nos miniguias de viagem sobre vários destinos. É o "Sabores do Viajante", da autoria de Daniela Ricardo.

Livro Sabores do Viajante

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #19

"Sabores do Viajante" - Daniela Ricardo - Edições Chá das Cinco

 

Este é já o terceiro livro de Daniela Ricardo, uma enfermeira que se tornou chef, professora e consultora de alimentação consciente e natural. Juntamente com Luís Baião [seu marido e mentor do projeto Zen Family] Daniela organiza viagens de grupo a várias partes do mundo, ficando a seu cargo a confeção e a logística da alimentação dos participantes. Regularmente, também organiza retiros e workshops em Portugal sobre a temática da alimentação saudável.

 

Este livro resulta do que Daniela aprendeu e visitou nas viagens que tem feito, viagens essas que se destacam por uma forte componente espiritual. Após as páginas introdutórias, em que a autora contextualiza este livro e expõe a sua filosofia alimentar, fornecendo informação nutricional e dando algumas noções de técnica culinária, o livro apresenta a seguinte estrutura:

 

- As Viagens

  • Butão
  • Argentina
  • Japão
  • Indonésia/Bali
  • Itália
  • Portugal

- Benefícios de viajar

- Dicas de viagem

- A minha mala de viagem - os indispensáveis

 

Livro Sabores do Viajante

 

Para cada destino do capítulo 'As viagens', Daniela faz uma introdução ao país, destaca localidades ou monumentos imperdíveis, diz-nos "Quando ir", mostra-nos algumas "Palavras e expressões úteis" na respetiva língua, introduz-nos na gastronomia desse destino e, por fim, apresenta uma série de receitas locais, adaptadas em termos de ingredientes e tipo de confeção, de forma a cumprirem a sua visão de alimentação consciente e sustentável.

 

Assim, no livro iremos encontrar os Sabores Butaneses (capítulo de onde foi retirada a receita destas panquecas), os Sabores Argentinos, os Sabores Nipónicos, os Sabores Balineses, os Sabores Italianos e os Sabores Portugueses

Livro Sabores do Viajante

 

Confesso que gostei mais do livro pelo que nos ensina sobre os destinos - Daniela fala de acordo com a sua experiência, contando algumas histórias e factos curiosos - do que pelas receitas. No entanto, reconheço o seu mérito em adaptar as receitas e torná-las mais acessíveis e mais 'conscientes' para nós, portugueses, ao utilizar ingredientes que nos são mais familiares, pelo menos nos casos em que isso é possível. Algo que apreciei, por exemplo, foi o uso do azeite como gordura de eleição, quando em muitos livros de receitas a opção teria sido, por certo, o óleo de coco.

 

Resumindo: "Sabores do Viajante" é um livro enriquecedor, que vale para lá das receitas que apresenta. O design gráfico e as fotografias não são especialmente marcantes, mas cumprem a sua função e as receitas estão bem escritas. É um livro que agrada sobretudo a quem gosta de viajar e de saber mais sobre gastronomia e para quem não tem medo de se aventurar por sabores que fogem ao tradicinal.

 

Como sempre, este post contou com o apoio da Livraria Bertrand*, onde podem saber mais sobre o livro [que ganhou o prémio Gourmand em Portugal na categoria Health & Food] e até adquiri-lo, com 10% de desconto.

 

Querem saber mais sobre a Daniela e os seus projetos? É só segui-la no Instagram  

 

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Panquecas de trigo-sarraceno

PANQUECAS DE TRIGO-SARRACENO [KHUR-LE]

Receita butanesa no livro "Sabores do viajante", de Daniela Ricardo

 

Nota: o sabor da farinha de trigo-sarraceno não é consensual. Costumo usar os grãos na granola e gosto, mas achei que nas panquecas fica um pouco forte. No entanto, a textura das panquecas, feitas basicamente de farinha e água é ótima, parece quase massa de bolo!

 

1 chávena e meia de farinha de trigo-sarraceno

1 chávena de água [eu precisei de adicionar mais 1/4 de chávena]

1 pitada de sal

1 colher de café de bicarbonato de sódio

 

Coloque todos os ingredientes num liquidificador, processador ou copo da varinha mágica e bata até obter uma mistura homogénea densa mas 'espalhável'.

Deixe a massa repousar uns cinco minutos.

Pincele uma frigideira antiaderente com azeite, aqueça bem e verta uma colherada de massa. Deixe cozinhar um pouco e, quando já se soltar, vire com a ajuda de uma espátula e cozinhe mais um pouco (no meu caso não demorou mais do que três minutos no total, para cada panqueca). Repita até terminar a massa.

Sirva com fruta e adoçante a gosto, ou então com algum topping salgado, à maneira do Butão.

 

OUTRAS RECEITAS SAUDÁVEIS DA RUBRICA #DIZMEOQUELÊS:

 

29
Nov19

Chocolate quente espumoso [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #18]

Chocolate quente descomplicado

Livro Cozinha Descomplicada

 

À terceira tentativa, temos conteúdo para post. Este chocolate quente foi a terceira receita que testei deste livro. A primeira foi um tiramisù delicioso. Acontece que quando fui fotografá-lo, o tempo estava pior do que péssimo. Apesar de ser início da tarde, não havia praticamente luz, chovia desalmadamente. Ainda tirei algumas fotos, mas ficaram horríveis. Claro que podia ter tentado fotografar o tiramisù na manhã seguinte, mas... era demasiado bom para não o comermos de sobremesa ao jantar desse dia!

 

Na manhã seguinte, nova receita: galette des rois. Em vez de uma, decidi fazer várias mais pequenas. Nunca tinha feito esta receita natalícia francesa, mas tendo em conta a época, achei que seria perfeito. Parecia que iam ficar lindas... mas já no forno o recheio começou a sair furiosamente das empadas doces folhadas. Ficaram praticamente sem recheio. Provei-o: demasiado doce e a saber muito a manteiga.

 

Havia que escolher outra receita. Desta vez, a eleita foi o Chocolate quente espumoso. Uma receita descomplicada, a fazer jus ao título do livro (e eu simplifiquei-a ainda mais), deliciosa e mais saudável do que o chocolate quente tradicional, uma vez que é feito com bebida de coco e adoçado com geleia deste fruto.

 

Se vieram só pela receita, é fazer scroll e encontram-na mais abaixo. Se ficaram curiosos sobre este livro, está lançado o 18º #Dizmeoquelês - rubrica que conta, como sempre, com o apoio da livraria Bertrand.

 

Livro Cozinha Descomplicada

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #18

"Cozinha Descomplicada" - Larousse - Editora Bertrand

 

Este é o que se pode chamar um Senhor Livro. São mais de 400 páginas com 200 receitas, acompanhadas da promessa de conseguirmos pô-las em prática sem complicações. Desde logo pela forma como são apresentadas: em vez da habitual listagem de ingredientes seguida do método de confeção, ingredientes e indicações estão condensados numa espécie de esquema. Uma linguagem mais gráfica e visual, que ajuda a pôr de lado o receio e a preguiça que eventualmente uma receita possa provocar.

 

Mas não se pense que não é preciso olhar para o esquema mais do que uma vez, até porque não estamos habituados a que nos apresentem assim as receitas. Se é original? É! [Atenção: este não é o primeiro livro a seguir este caminho, nomeadamente os livros de cozinha infantis usam muitas vezes esta fórmula] Se é prático na hora de sabermos quais os ingredientes de que precisamos? Nem por isso. Mas a verdade é que é uma questão de nos habituarmos a percorrer o esquema com o olhar; à terceira ou quarta receita, fica mais fácil. E podemos sempre anotar os ingredientes num papelinho.

 

Livro Cozinha Descomplicada

Outra originalidade do livro é que as suas páginas não são numeradas, mas as receitas sim. Ou seja, no índice as receitas surgem por ordem alfabética e, à frente, em vez da indicação da página, surge o seu número de receita. Nada a opôr.

 

Quanto ao tipo de receitas, há de tudo um pouco:

  • Entradas
  • Carne 
  • Peixe
  • Legumes
  • Sobremesas
  • Bebidas

 

São receitas relativamente consensuais, que recorrem a uma grande variedade de ingredientes e tipos de confeção, notando-se em muitas delas o gosto francês - este livro é uma tradução do livro "La cuisine sans bla bla" das edições Larousse. Há pratos de massa e de arroz; há comida de tacho e de forno; há sopas e saladas; há opções vegetarianas, há cocktails e bebidas quentes. E há muitas sobremesas onde já colei post-its [quero acreditar que o azar que tive com a receita de galette de rois se deveu ao facto de eu não ter deixado um rebordo suficientemente largo, sem recheio, a toda a volta; é um facto que não gostei muito do sabor, mas também acho que não foi a melhor maneira de provar a receita, por isso não descarto a hipótese de lhe dar uma segunda oportunidade].

 

Resumindo: "Cozinha descomplicada" é um livro giro, com design e fotografias apelativas e receitas apetitosas, com uma abordagem que junta o clássico ao contemporâneo, mas todas simples e rápidas. Agora que vem aí o Natal, pode ser uma ótima prenda para aquela filha que foi estudar e viver para fora, para aquele sobrinho que acabou de casar ou para aquele amigo para quem, como eu, a expressão "demasiados livros de cozinha" não existe!

 

Saber mais / Comprar o livro >>> Livraria Bertrand*

 

Chocolate quente espumoso

CHOCOLATE QUENTE ESPUMOSO [E SAUDÁVEL]

A partir do livro "Cozinha Descomplicada" - Larousse

 

Para 2 copos/canecas

340 ml de bebida de coco ['leite vegetal' de coco e não 'leite de coco' em lata]

65 g de chocolate de culinária

1 colher sobremesa de geleia de coco [ou outro adoçante do género, tipo mel ou agave, a gosto]

4 ou 5 gotinhas de extrato de baunilha

 

Coloque no copo do processador de cozinha a bebida de coco e o chocolate partido em pedacinhos. Programe uns 5 minutos a 90ºC ou até o chocolate ter derretido.

Adicione os restantes ingredientes e pulse/triture durante uns bons segundos para que fique emulsionado e ganhe espuma.

Divida pelos copos e sirva.

 

Nota: a bebida de coco tem um sabor bastante neutro e discreto comparado com o leite de coco de lata; se gostar muito do sabor do coco, aconselho a seguir a receita original e usar leite de coco de lata e água de coco.

 

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MAIS RECEITAS ACHOCOLATADAS

 

28
Nov19

Bolo de arroz [ou um regresso à infância]

Bolo de arroz

Bolo de arroz

 

É raro seguir uma receita de fio a pavio, sem omitir um ingrediente ou substituí-lo por outro, ou sem ignorar ou acrescentar um passo. É mais forte do que eu 🤷‍♀️

 

Mesmo na rubrica #Dizmeoquelês tenho alguma dificuldade em ser 100% fiel à receita do livro. Ou porque não tenho um ou outro ingrediente em casa, ou porque há um determinado procedimento que foge aos meus hábitos culinários. Mas nestes bolos de arroz, não mudei rigorosamente nada em relação à receita da Rita Nascimento, aka La Dolce Rita.

 

Por isso, não tinha pensado em publicá-la aqui. No entanto, como foram vários os pedidos que me fizeram no Instagram para partilhar a receita, aqui está ela: a receita dos bolos de arroz. Uma receita que me recuar aos lanches no café ou na pastelaria quando era pequena (que eram um pouco raros, na verdade, e talvez por isso me tenham marcado), com a minha mãe, a minha avó Maria ou com as minhas tias. E em que éramos aconselhados a evitar os bolos com creme (acho que a minha primeira bola de Berlim ou o meu primeiro Napoleão, comi-os já praticamente adulta) e a optar por uma torrada, um bico de pato com fiambre, um croissant simples ou... um bolo de arroz!

 

[Houve também muita gente que me perguntou onde tinha comprado as forminhas de papel. Foi aqui, no Cantinho dos Paladares, e compram-se em embalagens de 12 unidades].

 

Bolo de arroz

BOLOS DE ARROZ

Receita do livro "Uma pastelaria em casa", de La Dolce Rita

Para 8-10 bolos de arroz (nestas formas)

 

150 g manteiga

180 g de açúcar

3 ovos

150 g farinha T55 sem fermento

100 g de farinha de arroz

1 colher de chá de fermento em pó para bolos

100 ml de leite

Açúcar para polvilhar qb

 

Ligar o forno nos 180º.

Bater a manteiga amolecida com o açúcar até ficar em creme (usei a batedeira elétrica).

Juntar os ovos e incorporar bem (usei a batedeira elétrica).

Acrescentar as farinhas e o fermento e por fim, juntar o leite (usei a batedeira elétrica, numa velocidade baixa).

Verter para as formas - encher cerca de 3/4 de cada forma.

Polvilhar o topo de cada bolo com cerca de 1 colher de chá rasa de açúcar (para ganhar a capa crocante - no meu caso, houve algum açúcar que não derreteu/solidificou).

Levar a cozer entre 15 a 20 minutos - fazer o teste do palito, que deve sair limpo.

 

OUTRAS RECEITAS PARA REGRESSAR À INFÂNCIA:

18
Out19

Trança de abóbora e nozes [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #14]

Trança de abóbora e nozes

Trança de abóbora e nozes

Trança de abóbora e nozes

 

E ao 14º livro da rubrica #Dizmeoquelês o escolhido é um livro dedicado aos mais novos. Mas querem saber a verdade? Eu gostei muito do livro e achei que as receitas eram perfeitas... para mim 😁  Se vieram só pela trança, é fazer scroll que encontram a receita mais abaixo, em todo o caso convido-vos a saber mais um pouco sobre o "Pequenos-almoços e Lanches saudáveis para Crianças", da chef Joana Byscaia.

 

Trança de abóbora e nozes

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #14

"Pequenos-almoços e Lanches saudáveis para Crianças" - Joana Byscaia - Manuscrito

 

Mãe de dois, sei bem a dor de cabeça que pode ser escolher o que dar aos mais novos ao pequeno-almoço e ao lanche. Até porque nem sempre é fácil conciliar as opções mais saudáveis com os desejos dos garotos.

 

Os meus já são adolescentes, por isso "o pior" já passou, mas gostaria de ter tido, quando eles eram mais pequenos, a oferta de livros e blogs que agora há acerca da alimentação infantil. Ideias, informação e inspiração, nunca são de mais quando precisamos de pôr comida na mesa - e nas lancheiras - todos os dias, para alimentar e nutrir os nossos filhos.

 

A Chef Joana Byscaia é a responsável pelo projeto Petit Chef e há muitos anos que se dedica a desenvolver receitas especialmente dirigidas aos mais novos e a promover junto destes o gosto pela cozinha e pela comida de verdade. E porque, para pais e cuidadores, é ao pequeno-almoço e ao lanche que o desafio é maior, este livro foca-se nestas duas refeições, apresentando 30 receitas para cada uma delas, ou seja, 60 receitas no total.

 

Trança de abóbora e nozes

 

O que salta logo à vista ao folhear o livro é a simplicidade das receitas, ainda que as fotos nos possam, num primeiro momento enganar. Sim, porque o empratamento das sugestões está tão cuidado, que podem parecer mais elaboradas do que são, na realidade. Mas esse é mesmo um dos objetivos: mostrar como com apenas alguns ingredientes e uma apresentação bonita, podemos cativar os mais novos. Um exemplo: "Manga com coco ralado e frutos vermelhos". É só fatiar a manga, espalhar por cima os frutos vermelhos e salpicar com coco ralado. Simples não é? Pois, mas nunca me tinha lembrado de servir a fruta assim e a verdade é que fica colorido e apelativo.

 

Sei que a receita do livro que escolhi replicar não parece assim tão simples, talvez seja a receita mais demorada e elaborada, pois muitas delas nem sequer exigem forno ou fogão, são sobretudo sugestões de combinações de ingredientes.

 

Para vos dar uma ideia, no capítulo "30 dias, 30 pequenos-almoços", há "Banana com manteiga de amendoim e frutos secos", "Cremoso de papaia com iogurte, mirtilos e sementes", "Iogurte de romã com flocos de aveia torrados", "Pão com puré de abacate e requeijão com romã e sementes", e ainda receitas rápidas de batidos, papas de aveia, scones, panquecas e sanduíches, sem esquecer um bolo , o"Bolo de água com sementes de papoila", e a "trança de abóbora e nozes".

 

Já na secção dos "30 dias, 30 lanches", iremos encontrar desde snacks como "Chips de maçã", a várias receitas de queques e muffins, bolachas saudáveis e até uns croquetes de atum, que para além de lanche podem servir para um almoço de piquenique.

 

Um dos aspetos de que gostei do livro é que não é fundamentalista nem recorre a ingredientes pouco vulgares. E algumas receitas incluem açúcar amarelo ou mascavado, farinha de trigo ou manteiga (em quantidades controladas),  porque o mais importante - tanto nas crianças como nos adultos - é o equilíbrio e combinar uma alimentação consciente com a prática de exercício físico e um estilo de vida ativo.

 

Se os miúdos vão adorar todas as receitas do livro? Tenho dúvidas, mas na verdade são boas sugestões para os adultos também: qual será a pessoa grande que resiste a uma fatia desta trança de abóbora e nozes?

Nas páginas iniciais, o livro apresenta listas de utensílios e ingredientes a ter sempre na despensa e dicas de "Como planear e organizar receitas para toda a semana".

 

Resumindo: "Pequenos-almoços e Lanches saudáveis para Crianças" é uma compilação simpática de ideias e receitas para nos ajudar a variar à hora destas importantes refeições (é nestas que é mais fácil cometer erros ou excessos). É um livro simples e colorido, de forma a que os mais novos possam, eles próprios, meter "mãos à obra". As fotos, de Ana Pereira da Costa, são cuidadas e apelativas. As receitas são descomplicadas, sem abdicar de um toque de criatividade.

 

E agora, vamos à trança?

Trança de abóbora e nozes

TRANÇA DE ABÓBORA E NOZES

Receita ligeiramente adaptada do livro "Pequenos-almoços e lanches saudáveis para Crianças"

 

250 g de farinha de trigo sem fermento

1 colher de café de sal fino

7 g de fermento de padeiro desidratado (tipo Fermipan)

180 ml de água morna

2 colheres de sopa de açúcar amarelo

Canela em pó qb

Sementes a gosto ou flocos de aveia (opcional)

1 ovo batido para pincelar

 

Para o recheio:

250 g de doce de abóbora*

75 g de nozes picadas

 

Em 30 ml da água morna, coloque o fermento e mexa.

Na taça da batedeira (se tiver uma batedeira com gancho de amassar), coloque a farinha, peneirada, e junte o sal, a canela, o açúcar, a água com o fermento e a restante água. Envolva até obter uma massa homogénea, veja se necessita de juntar um pouco mais de farinha.

Leve a bater numa velocidade média cerca de 8 minutos, devendo a massa ficar suave e macia ao toque.

Tape com um pano limpo e deixe levedar num local ameno (eu embrulhei a taça numa manta polar e demorou mais de uma hora a aumentar de volume, mas no tempo quente ou junto a um forno ou aquecedor, deve demorar cerca de 30 minutos).

Entretanto ligue o forno nos 180ºC.

Polvilhe a superfície de trabalho com farinha e estique com o rolo a massa até obter um retângulo grande.

Transfira este retângulo, com a ajuda do rolo de cozinha, para uma folha de papel vegetal.

Espalhe o doce de abóbora e salpique com as nozes.

Faça um rolo, a partir de um dos lados mais compridos.

Corte a meio este rolo, ao sentido do comprimento, e entrelace as duas pontas, formando uma trança.

Pincele com ovo batido e salpique com sementes ou flocos de aveia, se desejar.

Leve a cozer cerca de 25-30 minutos ou até estar bem dourado e firme ao toque.

 

*Eu usei doce de abóbora caseiro, feito pela minha mãe, mas no livro a autora dá a receita: 300 g de abóbora-menina aos cubos + 125 g de açúcar mascavado + 1 pau de canela. Levar a abóbora ao lume com o açúcar e a canela e deixar cozinhar uns 25 minutos; descartar o pau de canela, escorrer a abóbora, e triturar.

 

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16
Out19

Pão de alperces e nozes [Dia Mundial da Alimentação e do Pão]

Pão de alperces e noz

Pão de alperces e noz

 

Desde o ano 2000 que o 16 de outubro, para além de ser o Dia Mundial da Alimentação, é também o Dia Mundial do Pão, instituído pela "União Internacional de Padeiros e Afins". Este coletivo juntou-se assim à Organização das Nações Unidas, que em 1979, na 20ª Conferência da ONU para a Alimentação e a Agricultura, escolheu o 16 de outubro (precisamente a data da criação, em 1945, da agência da ONU dedicada à alimentação e agricultura) para celebrar anualmente esta componente essencial das nossas vidas.

 

E o que seria da nossa alimentação sem pão? Atualmente, há quem pratique regimes alimentares onde o pão praticamente não entra, pelo menos o pão tradicional, feito com cereais (caso da dieta paleo), mas confesso que não conseguiria viver sem pão tradicional. É verdade que a qualidade dos ingredientes, nomeadamente das farinhas que são vendidas em grande escala, tem piorado ao logo dos tempos, devido à enorme procura e à pressão económica.

 

Por consequência, o mesmo se aplica à qualidade do pão que encontramos na maioria das padarias, a começar pelas padarias dos supermercados. Mas, sabendo que há farinhas e outros ingredientes mais e menos saudáveis, sabendo que há técnicas mais e menos saudáveis, não vejo porque tenhamos que eliminar o pão das nossas refeições.

 

Pão é partilha. É a simplicidade à mesa. É muitas vezes o alimento que salva vidas, que conforta, que garante o dia seguinte. Tanta simbologia à volta do pão. Tanta história e tanta ciência, apenas com dois ingredientes básicos: água e farinha.

 

E se o fizermos em casa, mesmo que seja com farinhas comuns, não me parece que estejamos a cometer um grande pecado alimentar [comparado com tantos outros pecados possíveis!].

 

Pão de alperces e noz

 

Claro que, à semelhança da maioria das pessoas, a maior parte do pão que como não é caseiro. Mas gosto mesmo de fazer pão e estou sempre a pensar em fazer mais vezes, no entanto alguma falta de planeamento e de tempo acabam por atropelar este desejo. Que estas datas e "dias mundiais" me sirvam de lembrete!

 

Mas vamos ao pão que vos trago neste post. Este pão de alperces e nozes está há já algum tempo na minha grelha do Instagram, mas ao dar conta da data que se assinalava hoje, ocorreu-me que não tinha chegado a publicar a receita e que este seria o dia perfeito para fazê-lo.

 

Fui buscá-lo a um livro bonito, apenas com receitas de pão e derivados, chamado "Pão Caseiro" e que de já aqui falei, na rubrica #dizmeoquelês  -  na altura, repliquei outra receita do livro, uns apetitosos rolos de limão e baunilha, que podem ver aqui.

 

Eu gosto muito de "pão de coisas" e "pão com coisas", por isso adorei esta adição dos alperces secos e das nozes. Se são do meu clube e têm paciência para deixar o pão a levedar durante a noite, agendem já fazer esta receita, vão ver que não se arrependem 😉

 

Pão de alperces e nozes

PÃO DE ALPERCES E NOZES

Ligeiramente adaptado do livro "Pão Caseiro", de Maria Blohm

 

320 ml de água fria

3 g de fermento de padeiro fresco (tamanho de uma ervilha)

350 g de farinha de espelta

100 g de farinha de espelta integral

1,5 colheres de chá de sal

100 g de alperces secos

50 g de nozes

 

Coloque a água numa taça e incorpore nela o fermento (sim, a água é mesmo fria).

De seguida, junte os restantes ingredientes - se tiver uma balança com tara, pode ir colocando e pesando ao mesmo tempo.

Misture os ingredientes com a ajuda de uma espátula ou colher (ou à mão) até obter uma massa ligada.

Cubra a taça com película aderente e deixe repousar entre 12 a 14 horas à temperatura ambiente (no inverno talvez seja necessário embrulhar a taça numa manta).

Pré-aqueça o forno a 230º com ventoinha e coloque um tabuleiro a aquecer no forno.

Molde seis pães em forma de bola (talvez precise de juntar um pouco mais de farinha, para conseguir moldar as bolas, ou humedecer as mãos, o que também ajuda; esta é uma massa húmida, mas não desespere, pois irá conseguir moldá-las) e coloque-as sobre papel vegetal.

Retire o tabuleiro do forno quando este tiver atingido a temperatura mencionada e, com cuidado, transfira o papel com o pão para o tabuleiro.

Polvilhe o pão com farinha, se desejar.

Leve ao forno durante cerca de 15 minutos ou até o pão estar dourado e bem cozido (ao bater no pão deve sentir-se um som oco).

 

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01
Ago19

Rolos de limão e baunilha [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #4]

Rolos de limão e baunilha

Livro "Pão Caseiro"

Rolos de limão e baunilha

Mais uma semana, mais um livro, mais uma receita!

Esta é já a 4ª edição do "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes", uma rubrica Lume Brando com o apoio da Livraria Bertrand [em cuja loja online podem encontrar todos os livros de que falo aqui!]

 

Apesar de não ser algo que faça com regularidade, gosto muito de cozer pão em casa. E os livros com receitas de pão exercem sobre mim um poder especial. Fico sempre a sonhar com o dia em que vou ter tempo para cozer fornadas e fornadas de pães maravilhosos. Ainda por cima, o livro de hoje, da autoria da sueca Maria Blohm, tem uma capa linda, que chama imenso a atenção. Tão difícil resistir a levá-lo para casa, como dizer 'não' a uma fatia de pão fresco barrada com manteiga...

 

Livro "Pão Caseiro"

"Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes" #4

"Pão Caseiro" - Maria Blohm - ArtePlural Edições

"Mas a receita nas fotos não é um pão!", exclamam vocês e com razão. É que o livro tem muito mais do que receitas variadas de pão: tem imensos pães "doces", como estes rolos de limão e baunilha, mais do que uma receita de croissants, tem alguns bolos suecos, focaccia e massas de pizza.

 

[Na verdade, também já experimentei uma receita de pão deste livro - "Bolas com Alperces e Nozes", que ontem partilhei no Instagram e que publicarei aqui noutro post].

 

Informação útil! O livro tem ainda um capítulo dedicado a receitas de pão e bolinhos sem glúten - de pão de hambúrguer a tortilhas, passando por rolinhos de canela - o que pode ser bastante útil, mesmo que não tenhamos necessidade de eliminar o glúten da nossa dieta.

 

Rolos de limão e baunilha

 

Se a ideia de fazer pão vos assusta devido ao tempo de repouso das massas, este livro abre uma nova e risonha perspetiva: é que apesar do livro tratar de fermentações lentas (o que permite acentuar os sabores e as texturas), o tempo de fermentação das receitas permite-nos inserir facilmente o hábito de cozer pão nas nossas rotinas: preparar a massa à noite para cozer de manhã ou preparar de manhã para cozer antes do jantar, por exemplo.

 

O único senão do livro é o facto de em Portugal as farinhas disponíveis nos supermercados serem um pouco diferentes das farinhas utilizadas pela autora. Na versão portuguesa do livro apenas surge o nome traduzido das farinhas, mas não nos é dito nada sobre como substituir essa farinhas.

 

Por exemplo: a farinha de trigo mais utilizada pela autora é "farinha especial". Ora, que eu tenha conhecimento, nós não temos nenhuma farinha com este designação a ser comercializada por cá. Maria Blohm explica que é uma mistura entre farinha proveniente do trigo do outono e farinha do trigo da primavera, mas isso não nos ajuda muito. Outra farinha pedida em algumas receitas, é a "farinha de trigo duro", que eu só conheço por ser o ingrediente das massas secas.

Rolos de limão e baunilha

Um pouco perdida na hora de pôr a mão na massa, resolvi enviar uma mensagem via IG à autora. Que foi muito simpática e me disse que a principal característica da "farinha especial" era ter um percentagem maior de proteína (11% a 12%), quando comparada com a farinha dos bolos (9-10%). Disse-me que poderia substituir por uma "strong flour" ("farinha forte", outra designação que não temos) ou, em último caso, para usar a farinha que eu já costumava usar para fazer pão. Por curiosidade, fui consultar o rótulo da farinha T65 que tinha em casa (a farinha que mais uso para pão e massas de pizza) e a percentagem de proteína era de 10% (exatamente igual à da farinha T55, a dos bolos...).

 

Ok, não há de ser nada, vamos a isso. Toca a fazer as receitas com as farinhas disponíveis.

E não é que apesar de ter achado que as massas ficaram um pouco pegajosas (tanto as destes rolos de limão, como a do pão de alperce e nozes que mostrei no Instagram), a coisa acabou por correr mesmo bem? Saíram ótimos, com textura e sabor aprovadíssimos.

 

Por isso, a minha mensagem para quem tem ou quer comprar este livro, é a de que as receitas valem a pena, mesmo que a coisa pareça que vá descarrilar... mantenham a calma e a confiança, continuem a receita mesmo que tenham de juntar um pouco mais de farinha (sem exagerar!) e vão ver que os pães e os bolos irão sair deliciosos.

[Atualização - a farinha de espelta que tenho em casa tem 12% de proteína. Acho que a partir de agora vou usar esta, sempre que as receitas do livro pedirem "farinha especial"].

Livro "Pão Caseiro"

 

Resumindo: "Pão Caseiro" é um livro com um design simples mas bastante atrativo, e fotografias (para todas as receitas) muito cuidadas e bonitas. É um livro sobre "fermentações lentas", ainda que as receitas peçam apenas fermento fresco ou seco e não "isco" ou "massa-mãe". No início a autora tece algumas considerações sobre os ingredientes e explica porque é importante darmos tempo às massas para levedar. São cerca de 50 receitas variadas, apelativas e relativamente bem descritas, incluindo algumas receitas sem glúten. Algumas farinhas e ingredientes poderão ser difíceis de encontrar, mas não me parece complicado adaptar e substituir por farinhas e ingredientes mais comuns.

Para saber mais sobre o livro "Pão Caseiro" >>>> Livraria Bertrand Online

 

Vamos à receita de rolos de limão e baunilha?

Rolos de limão e baunilha

ROLOS DE LIMÃO E BAUNILHA

[ligeiramente adaptado do livro "Pão Caseiro", de Maria Blohm]

 

Rende 12 rolos grandes - 10 a 12h de levedação

Para a massa:

250 ml de leite frio

1/4 de colher de chá de fermento seco de padeiro (granulado)

75 g de açúcar

50 g de queijo quark

25 g de manteiga à temp. ambiente

1/4 de colher de chá de sal

25 g de farinha de espelta

425 g de farinha T65

 

Para o recheio:

75 g de manteiga à temp. ambiente

1/2 colher de sopa de açúcar baunilhado

1 pitada de sal

50 g de açúcar

Raspas de meio limão

 

Para a cobertura:

75 g de açúcar em pó

Sumo de limão qb

 

De véspera, prepare a massa.

Pese o leite na taça da batedeira e incorpore nele o fermento.

De seguida, pese os restantes ingredientes diretamente para a taça, colocando a balança a zeros entre cada ingrediente.

Mexa a massa com o gancho da batedeira durante 5 minutos (ou amasse à mão durante 10 minutos).

Numa taça, misture bem os ingredientes do recheio.

Transfira a massa para uma superfície enfarinhada (polvilhe as mãos e junte um pouco mais de farinha na massa, sem exagerar, se achar que está pegajosa).

Polvilhe o rolo e estenda a massa num retângulo com cerca de 30 cm x 15 cm.

Barre a massa com o recheio, deixando um pouco de margem livre à volta.

Enrole a massa (ao comprimento) e divida em 12 rolos.

Coloque-os num tabuleiro forrado com papel vegetal não demasiado apertado (os rolos vão aumentar de volume).

Cubra os rolos com um pano e depois envolva o tabuleiro num saco plástico.

Aponte as horas num post-it e cole no saco: assim, no dia seguinte sabe a que horas pode pô-los no forno. Deixe a levedar à temperatura ambiente entre 10h a 12h.

______________

Na manhã seguinte, após as 10h-12 horas de fermentação (a margem de 2 horas está relacionada com a temperatura ambiente - se estiver ameno vai precisar de cerca de 10h, se estiver mais frio irá precisar das 12h), pré-aqueça o forno nos 230º com a ventoinha ligada.

Tire o tabuleiro do saco, retire o pano e leve ao forno durante cerca de 13 minutos.

Se achar que está a dourar muito depressa, cubra com vegetal ou alumínio (eu reparei um pouco tarde 😅).

Entretanto prepare o glacé da cobertura: coloque o açúcar em pó numa taça e vá regando com sumo de limão e mexendo, até obter um creme branco brilhante e sem grumos.

Retire os rolos do forno e deixe arrefecê-los durante algum tempo antes de espalhar o glacê.

 

Post realizado com o apoio da Livraria Bertrand.

 

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23
Jul19

Quadrados de aveia, pêssego e framboesa [e um forno que nunca para]

quadrados_aveia_pessego20.jpg

quadrados_aveia_pessego12.jpg

Adoro sobremesas de forno com fruta. Bolos, crumbles, galettes... E no verão há tanta fruta - e tanta fruta que se adapta a sobremesas - que o meu forno praticamente não tira férias.

 

É certo que o calor tem sido por estes dias suportável, mas acreditem que já me aconteceu estar com o forno ligado, com 35ºC lá fora e pouco menos dentro de casa... Vício. Gulodice. Ou disparate. Vocês escolhem 😅

 

Desta vez, resolvi fazer uns quadrados [os americanos chamam-lhes "bars"] de pêssego e framboesa com crumble, adaptando uma receita do blog Halfbaked Harvest que me tinha ficado debaixo de olho.

 

A variação de texturas - base e topo crocante, interior macio e húmido - é para mim o melhor destes quadrados, muito fáceis de fazer. Dêem-me meio quadrado destes e um café, e estarei no céu. Mesmo que o céu esteja a debitar mais de 30º à sombra.

 

quadrados_aveia_pessego6.jpg

QUADRADOS DE AVEIA, PÊSSEGO E FRAMBOESA

[Adaptado de Halfbaked Harvest]

 

Para cerca de 12 quadrados

1 chávena de flocos de aveia

3/4 de chávena de farinha

1/2 chávena de açúcar mascavado claro

1/2 colher de chá de fermento em pó para bolos

100 g de manteiga fria

+

1 chávena de pêssego partido em cubos (2 pêssegos grandes)

1 chávena de framboesas

1 a 2 colheres de sopa de açúcar mascavado claro (a depender da acidez da fruta)

3 colheres de sopa de doce de pêssego ou de framboesa

Raspa de 1/2 limão

1 colher de café de extrato ou baunilha

Chávena = 250 ml de capacidade

 

Forre com papel vegetal uma forma retangular com cerca de 16 cm x 24 cm.

Ligue o forno nos 180º.

Comece por preparar a massa da base e que vai servir também para o crumble: na taça do processador ou da batedeira, junte a aveia, a farinha, o fermento, açúcar e a manteiga.

Bata até se ter formado uma areia grossa, que se une quando pressionada.

Use cerca de 2/3 dessa massa para forrar a base da forma, calcando bem e formando uma base compacta. Reserve a massa sobrante.

Leve ao forno cerca de 10-12 minutos.

Entretanto, descasque e parta os pêssegos e lave as framboesas.

Coloque esta fruta numa taça e junte a farinha, o açúcar, o extrato de baunilha e a raspa de limão.

Retire a forma do forno e espalhe a fruta.

Distribua pedacinhos de doce de pêssego ou framboesa por todo.

Por fim, esfarele a massa sobrante por cima.

Leve ao forno durante cerca de 45 minutos (nos últimos minutos, talvez sinta necessidade de ligar a ventoinha, para fazer a fruta borbulhar e o crumble ganhar uma cor dourada bonita).

Retire do forno e deixe arrefecer bem, antes de partir e servir.

 

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24
Abr19

Madalenas com pepitas de chocolate [das boas memórias]

madalenas_pepitas_chocolate3_bx.jpg

 

Madalena. Nome de mulher, de localidade, de bolo. E é nome de bolo - ou bolinho - por causa de uma mulher. Da mulher que criou estes pedaços de céu doces e esponjosos. Ainda que haja várias lendas sobre a origem desta especialidade francesa, uma das estórias mais vezes contada é a de que foi uma jovem chamada Madeleine, que trabalhava para o Duque de Lorena, ex-monarca polaco a viver em França nos inícios do século XVIII, que as começou a fazer seguindo uma receita da sua avó.

 

O sucesso dos bolinhos entretanto batizados de "madeleines" foi tal, que Luís XV teve que os provar numa visita à região, levando a receita consigo de volta a Versalhes. Rapidamente se popularizaram e hoje é um dos símbolos gastronómicos franceses. A história pode não ter ser sido exatamente assim, mas o certo é que o culto das madalenas em França se enraizou e internacionalizou definitivamente no princípio do século XX, quando Marcel Proust, na sua obra "Em busca do tempo perdido", descreve poeticamente como uma simples madalena que mergulhou no chá o fez regressar à infância, despertando-lhe as mais doces recordações dessa altura.

 

E boas memórias é também o que prometo que estas madalenas com pepitas de chocolate irão deixar em quem as comer. Muito fáceis e rápidas de fazer, têm ainda outra alteração em relação à receita tradicional: são feitas com azeite em vez de manteiga. Na verdade, estas pequenas conchas prestam-se a várias versões, incluindo salgadas, como é o caso destas madalenas de bacon e ervas (e no meu livro há uma receita de madalenas de tomate seco e manjericão).

 

Com ou sem pepitas, com ou sem frutos secos, com manteiga ou com azeite, doces ou salgadas: a sua forma única e delicada e o seu tamanho perfeito, fazem das madalenas uma daquelas confeções a que queremos voltar vezes sem conta. E com a primavera em pausa, nem sequer são precisas desculpas para ligar o forno e preparar uma fornada destas belezas...

 

madalenas_pepitas_chocolate5.jpg

 

MADALENAS COM PEPITAS DE CHOCOLATE

Adaptado da revista Saveurs - Spécial Desserts 2013

 

Para cerca de 27 madalenas

 

150 g de farinha sem fermento

140 g de açúcar

110 ml de azeite extravirgem suave

2 ovos

1/2 colher de café de extrato de baunilha

1 pitada de sal

100 g de pepitas de chocolate negro

Açúcar em pó para polvilhar (opcional)

 

Ligar o forno nos 180º e untar/polvilhar muito bem os tabuleiros de madalenas (normalmente cada tabuleiro tem 9 cavidades).

Bater os ovos com a baunilha, o açúcar e o sal até ficar esbranquiçado.

Peneirar a farinha diretamente para a taça da mistura anterior e envolver com cuidado.

Por fim, envolver o azeite e as pepitas de chocolate.

Dividir pelas cavidades das formas e levar a cozer durante cerca de 15 minutos - vá vigiando.

É opcional, mas pode-se polvilhá-las com açúcar em pó depois de arrefecidas.

 

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Teresa Rebelo

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