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Lume Brando

24
Mai19

Galette de ruibarbo e maçã [ruibarbo: fruta ou legume?]

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Se perguntar à minha mãe se conhece ou já ouviu falar em ruibarbo, a resposta vai ser um não convicto, acompanhado daquele franzir de testa involuntário de quem reage a algo que lhe soa estranho. Julgo que, de uma forma geral, será assim com todas as mães, pais e avós da geração dos meus. Ou pelo menos aqui no norte, onde não se conhece qualquer tradição no cultivo deste legume, que por ser bastante ácido é mais usado em sobremesas do que em salgados.

Sim, o ruibarbo é um legume, originário da Ásia, muito utilizado para fins medicinais, destacando-se a sua riqueza vitamínica. Uma outra utilização comum é em chá, indicado para auxiliar a digestão.

Eu própria só há uns anos é que descobri o ruibarbo, ao ver receitas em livros e revistas estrangeiras que o incluíam. Por isso, não imaginam como fiquei feliz assim que o pude cozinhar pela primeira vez, quando a querida Naida Folgado*, do blog Frango do Campo, me ofereceu uns caules, da sua horta, e com os quais fiz este bolo (caso cliquem, peço desculpas pelo aspeto do post, é muito antigo e não consigo editá-lo).

Das mesmas mãos generosas, chegou-me nova remessa de ruibarbo no fim de semana que passou. Desta vez, experimentei fazer uma galette, o meu tipo de tarte favorito. E ficou tão boa! Combinado com a dose certa de açúcar, o ruibarbo oferece-nos um delicioso travo agridoce e a sua textura macia, após a cozedura, contrasta muito bem com o crocante da massa (a massa que usei aqui é uma receita que faço algumas vezes, com uma ou outra alteração; desta vez ficou ainda mais estaladiça, porque lhe juntei um pouco de farinha de polenta bergamasca.

Sei que não é fácil encontrar ruibarbo (ou então é muito caro), mas se tiverem a oportunidade de poder cozinhá-lo e prová-lo, aproveitem-na! Ah, e não se esqueçam de que as folhas têm de ser descartadas: com elevados índices de ácido oxálico, as folhas são tóxicas e podem mesmo matar se consumidas em grandes quantidades.

*Sabiam que a Naida tem um site novo, dedicado aos seus serviços de food photography e food styling? Espreitem! E se puderem, não percam o seu workshop do dia 2 de junho em Espinho, no bonito espaço Humor ao Lume.

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GALETTE DE RUIBARBO E MAÇÃ

Para a massa:

120 g de farinha s/ fermento

40 g de farinha de milho para polenta (não instantânea) ou sêmola de milho

50 g de manteiga fria partida em pedaços

1 colher de chá de açúcar amarelo + 1 pouco para polvilhar

1 ovo pequeno

Ovo batido para pincelar

 

Para o recheio:

450 g de caules de ruibarbo, limpos e partidos em cubos

150 g de maçã descascada e partida em cubos

3-4 colheres de sopa de açúcar amarelo

2 colheres de sopa de farinha sem fermento

Sumo de 1 laranja

Opcional: açúcar em pó para polvilhar antes de servir

 

Comece por fazer a massa: coloque todos os ingredientes numa taça grande e amasse com as pontas dos dedos até obter uma massa moldável (se achar que está muito dura ou pouco ligada pode juntar umas gotas de água fria). Forme uma bola achatada, envolva em película aderente e leve a frigorífico durante cerca de 30 minutos.

Numa taça, junte o ruibarbo, a maçã, o açúcar, e o sumo de laranja. Envolva bem e deixe "marinar" enquanto a massa está no frigorífico.

Entretanto ligue o forno nos 170º.

Estenda e estique a massa numa superfície enfarinhada dando-lhe uma forma arredondada.

Escorra e descarte o líquido que se tiver formado na taça do ruibarbo, junte 2 colheres de sopa rasas de farinha na taça e envolva bem o ruibarbo e a maçã.

Verta a mistura de ruibarbo e maçã no centro da massa, espalhando-a para os lados mas mantendo livre a toda a volta uma borda com cerca de 3 cm. Dobre essa borda para cima, para fechar a galette, fazendo umas "pregas" a toda a volta, para a massa assentar e colar melhor. Pincele o rebordo com ovo batido e polvilhe com açúcar amarelo. Leve ao forno entre 1h a 1h e 10 minutos ou até a massa estar bem firme e bem dourada.

 

MAIS RECEITAS DE GALETTE:

16
Mai19

Tarte gelada de morango [pelo arrefecimento global]

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Não sei como é possível ainda haver pessoas - com enormes responsabilidades políticas e elevado poder de decisão - que não acreditam nas alterações climáticas. Se outras provas e sinais, bem mais graves, não existissem, bastaria estar atento ao fluir atual das estações do ano.

 

Não sei se por aí decidiram o mesmo, mas eu já desisti de fazer as mudanças semestrais de roupa e calçado, preferindo manter um pouco de tudo no armário. Para não ser apanhada desprevenida: por estes dias, por exemplo, os termómetros parecem uma montanha-russa.

 

Se hoje já choveu, está um vento desagradável e quando o sol se esconde (a maior parte do tempo), precisamos do aconchego de um casaco, a verdade é que no fim de semana passado o mercúrio subiu aos 30ºC e o céu parecia uma piscina de tão límpido e azul que estava. 

 

E com dias quentes assim, o que é que apetece? Receitas frescas. E quem diz receitas frescas diz sobremesas geladas.

 

Esta tarte estava marcada há muito com um post-it numa revista Saveurs, feita com framboesas. Mas era morangos que eu tinha e foi com morangos que a fiz. E ficou ótima. O que eu mais gostei na receita foi o facto de (fora a base de bolacha, coco e manteiga), serem precisos apenas três ingredientes: fruta, claras de ovos e açúcar.

 

Tanto que em breve tenciono fazer apenas esta parte (triturar a fruta e batê-la com o açúcar e as claras), congelar num recipiente adequado e servir depois como gelado. E também vou querer experimentar com outra fruta e outro adoçante que não açúcar, ainda que desconfie que o açúcar foi importante para este resultado: uma espécie de merengue macio e cremoso, que se obtém após cerca de 8 minutos a bater os três ingredientes no robot de cozinha.

 

Uma sobremesa fácil, económica, que não precisa de forno, perfeita para dias quentes.

 

Mas da forma como o tempo está, não se admirem se a próxima receita do blog for algo mais pesado, que envolva forno e sabores mais invernosos...

 

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TARTE GELADA DE MORANGO

Adaptado da revista Saveurs

 

Para a base de bolacha:

150 g de bolacha maria integral ou outra a gosto

40 g de coco ralado

90 g de manteiga derretida

 

Para a camada principal:

250 g de morangos limpos e sem pé + alguns para decorar

180 g de açúcar (ou ajustar de acordo com a acidez da fruta)

2 claras à temperatura ambiente

 

Colocar um pedaço de papel vegetal sobre o fundo amovível de uma forma circular de mola com cerca de 22 cm de diâmetro, e só depois encaixar o aro e fechar a forma (o papel deve sair um pouco do fundo da forma: assim será mais fácil descolar a tarte depois de pronta e passá-la para o prato de servir).

 

Para fazer a base de bolacha, triturar grosseiramente as bolachas no robot de cozinha. Juntar a manteiga e o coco e triturar mais um pouco até obter umas migalhas finas moldáveis.

Verter para a forma, calcar com os dedos ou uma colher, alisar bem e levar ao frigorífico.

 

Lavar o copo do robot de cozinha. Colocar aí os morangos, as claras e o açúcar. Bater numa velocidade alta ou média-alta durante cerca de 8 minutos. A mistura irá triplicar de volume, apresentando-se com um aspeto macio e brilhante.

Verter para a forma e levar ao congelador até solidificar - o ideal é fazer de véspera.

 

Retirar do congelador, decorar com mais morangos e servir (se estiver frio, tirar do congelador uns 10 minutos antes de servir, para conseguir parti-la; se o ambiente estiver quente, é normal que a superfície da tarte comece a derreter rapidamente, basta olhar para as fotos 🙈, mas tal não compromete em nada o sabor!).

 

MAIS RECEITAS GELADAS:

 

04
Mai19

Profiteroles com recheio de limão e cobertura de chocolate branco [para o Dia da Mãe]

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Amanhã é o Dia da Mãe. Como acontece há já vários anos, o almoço será cá em casa, com as nossas mães e irmãos. 

 

Somos uns felizardos por ainda podermos juntar todos à mesa, sendo que a pessoa mais velha - o meu pai - já fez 80 anos este ano.

 

Gosto muito deste dia. Sendo eu mãe, poderia querer celebrá-lo de outra forma, indo almoçar fora, por exemplo, para não ter trabalho. Mas para mim faz mais sentido assim. Gosto de preparar uma mesa bonita, ter ser sempre jarras com flores naturais, apresentar uma sobremesa especial. Uma forma de mimar as mães da minha vida, que ainda hoje nos recebem mais vezes do que as vezes que as recebemos a elas.

 

Normalmente é a partir do Dia da Mãe que a primavera se instala definitivamente cá em casa. O bom tempo que costuma fazer-se sentir já não volta atrás (pelo menos já não voltamos aos casacos grossos), há uma energia boa no ar e na rua ouvem-se as vozes alegres de universitários trajados a caminho da Queima. Maio é um mês que começa bem e que segue em festa, com vários aniversários na família. E não há nada melhor do que ter motivos para celebrar.

 

Para o almoço de amanhã, pensei em fazer uns profiteroles mimosos, recheados com creme de lemon curd e mascarpone e uma cobertura simples de chocolate branco. Uma experiência que tinha tudo para dar certo e as expectativas confirmaram-se: combinação deliciosa (pelo menos para os fãs de sobremesas de limão, como eu).

 

E ficaram com um aspeto tão doce e delicado, não concordam? Sei que sou suspeita, mas acho-os perfeitos tendo em conta a ocasião. Feliz Dia da Mãe!

 

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PROFITEROLES COM RECHEIO DE LIMÃO E COBERTURA DE CHOCOLATE BRANCO

 

Para cerca de 30 profiteroles tamanho médio/normal

 

Para a massa:

180 ml de água

70 ml de azeite

100 g de farinha sem fermento

3 ovos

1 pedaço de casca de limão

1 pitada de sal

1 pitada de açúcar

 

Para o recheio:

200 g de queijo mascarpone

240 g de lemon curd (veja a receita aqui)

 

Para a cobertura:

120 g de chocolate branco

Óleo vegetal qb

Um pouco de corante rosa ou beterraba em pó

 

Se não tiver lemon curd feito, deve começar por aí, para que tenha tempo de refrigerar.

 

Para fazer os profiteroles, coloque num tacho a água, o azeite, o sal, o açúcar e a casca de limão e leve ao lume. Assim que ferver, descarte o limão e junte a farinha toda de uma vez. Mexa bem com a colher de pau, até a massa formar uma espécie de bola lisa e descolar-se das paredes do tacho, o que deve demorar uns dois ou três minutos. Retire do lume e passe para a taça da batedeira. Deixe arrefecer uns 10 minutos, ligue a batedeira numa velocidade média (se tiver, use a pá das massas e não a ‘pinha’ das claras em castelo) e vá acrescentando os ovos, um a um, continuando a bater para os incorporar bem. A massa estará pronta quando estiver uniforme, brilhante e macia.

 

Pré-aqueça o forno nos 210º (se for usar os dois níveis de forno ao mesmo tempo, reduza para 190º e coloque na função ventoinha).

 

Um tabuleiro não deve chegar, por isso forre dois tabuleiros de forno com papel vegetal (use um pouco de massa para colar as pontas do papel ao tabuleiro).

 

Coloque a massa num saco de pasteleiro equipado com um bico largo liso e faça os profiteroles. Com a ponta do dedo indicador molhada, pressione ligeiramente o centro dos profiteroles, para abater o eventual ‘bico’ com que tenham ficado.

 

Leve ao forno cerca de 20 minutos, sem abrir a porta durante a cozedura. Depois de cozidos, mantenha-os no forno até arrefecerem, com a porta entreaberta (use o cabo de uma colher de pau ou um pano de cozinha dobrado para criar a frincha na porta do forno). Guarde-os numa caixa hermética até serem recheados e cobertos.

 

Prepare a cobertura levando a derreter o chocolate branco em banho-maria. Junte um pouco de óleo vegetal e mexa bem, para torná-lo mais fluído. Se lhe quiser dar um tom rosado, junte umas gotinhas de corante rosa ou cerca de uma colher de café de beterraba em pó, mexendo bem (eu não tinha corante rosa em casa e então lembrei-me de um frasquinho de beterraba em pó que tinha comprado na Kinda Home; a cor não fica totalmente uniforme, mas acho consegui o efeito pretendido e o sabor não comprometeu; no entanto, se tivesse corante, teria usado o corante).

 

Prepare o recheio, batendo bem o mascarpone com o lemon curd.

 

Com uma faca de serrilha abra os profiteroles a meio (cuidado para que as partes não fiquem separadas). Com uma colher de chá encha a cavidade com creme de limão. Por fim coloque um pouco do chocolate branco em cima de cada profiterole.

 

Leve ao frigorífico umas duas horas antes de servir.

 

IMAGENS E RECEITAS DE OUTROS DIAS DA MÃE:

 

28
Abr19

Batatas Hasselback com bacon e parmesão [e os deliciosos fios de bacon Primor]

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ba-ta-tei-ro (...)

Adjetivo

[Popular] Que gosta muito de batatas.

(...)

 

Eu, batateira, me confesso. Adoro batatas. Normais e doces. Fritas, assadas ou em puré.

E há muito que queria experimentar fazer as famosas batatas Hasselback - estas batatas assadas que parecem um acordeão e  cujo nome se deve ao facto de terem sido inventadas, na década de 50 do século passado, por um cozinheiro sueco que trabalhava no restaurante 'Hasselbacken', em Estocolmo.

 

Desafiada pela Primor a cozinhar com os seus fios de bacon, lembrei-me de que este era um ótimo pretexto para, finalmente, fazer estas batatas. Sabiam que os fios de bacon Primor têm sido distinguidos com o prémio "Escolha do Consumidor" há já seis anos consecutivos? Para além de um excelente sabor, este produto, apresentado de forma inovadora, oferece versatilidade, permitindo mil e uma utilizações: pizzas, folhados, topping de sopas, sanduíches, quiches... e, claro, batatas Hasselback!

 

O ideal é usarem batatas novas para esta receita, para terem uma casca fina e assarem mais rapidamente e também terem todas um tamanho semelhante, para que o tempo de assadura seja o mesmo. Eu gosto delas bem assadas e douradas, por isso, mesmo não sendo muito grandes as batatas que eu usei, estas estiveram no forno cerca de uma hora, ainda antes de adicionar o bacon e o queijo. Numa palavra: de-li-ci-o-sas!

 

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BATATAS HASSELBACK COM BACON E PARMESÃO

Para 4 pessoas, como acompanhamento

 

12 batatinhas novas médias

75 g de bacon em fios Primor

2 colheres de sopa de azeite

1 colher de sopa bem cheia de manteiga

Sal e pimenta preta qb

Queijo parmesão ralado qb

Salsa ou outra erva aromática para polvilhar

 

Pré-aqueça o forno nos 200º.

Lave bem as batatas.

Apare a base de cada batata, de modo a ficarem bem pousadas.

Apoiando cada batata numa tábua, faça uma sequência de golpes fundos à sua largura - como se fosse cortar às rodelas, mas sem chegar a cortar completamente - obtendo uma espécie de acordeão fechado.

Forre um tabuleiro de ir ao forno com papel vegetal e pincele-o com o azeite.

Esfregue um pedacinho de manteiga em cada batata.

Tempere-as com sal e pimenta e leve ao forno durante cerca de 1 hora.

Vá vigiando. Quando estiverem praticamente prontas (espete uma faca na polpa da batata para confirmar), retire do forno, deixe arrefecer até poder tocar-lhes e distribua os fios de bacon pelas ranhuras das batatas.

Espalhe parmesão ralado por cima e leve de novo ao forno durante uns 5 minutos, até o bacon ganhar cor e ficar estaladiço.

Decore com salsa picada fresca.

Excelentes como acompanhamento de carne grelhada ou servidas com salada para uma refeição mais leve.

 

 

Post patrocinado. No entanto, o conteúdo foi desenvolvido e escrito inteiramente por mim, expressando as minhas ideias e opiniões livres sobre o produto.

 

24
Abr19

Madalenas com pepitas de chocolate [das boas memórias]

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Madalena. Nome de mulher, de localidade, de bolo. E é nome de bolo - ou bolinho - por causa de uma mulher. Da mulher que criou estes pedaços de céu doces e esponjosos. Ainda que haja várias lendas sobre a origem desta especialidade francesa, uma das estórias mais vezes contada é a de que foi uma jovem chamada Madeleine, que trabalhava para o Duque de Lorena, ex-monarca polaco a viver em França nos inícios do século XVIII, que as começou a fazer seguindo uma receita da sua avó.

 

O sucesso dos bolinhos entretanto batizados de "madeleines" foi tal, que Luís XV teve que os provar numa visita à região, levando a receita consigo de volta a Versalhes. Rapidamente se popularizaram e hoje é um dos símbolos gastronómicos franceses. A história pode não ter ser sido exatamente assim, mas o certo é que o culto das madalenas em França se enraizou e internacionalizou definitivamente no princípio do século XX, quando Marcel Proust, na sua obra "Em busca do tempo perdido", descreve poeticamente como uma simples madalena que mergulhou no chá o fez regressar à infância, despertando-lhe as mais doces recordações dessa altura.

 

E boas memórias é também o que prometo que estas madalenas com pepitas de chocolate irão deixar em quem as comer. Muito fáceis e rápidas de fazer, têm ainda outra alteração em relação à receita tradicional: são feitas com azeite em vez de manteiga. Na verdade, estas pequenas conchas prestam-se a várias versões, incluindo salgadas, como é o caso destas madalenas de bacon e ervas (e no meu livro há uma receita de madalenas de tomate seco e manjericão).

 

Com ou sem pepitas, com ou sem frutos secos, com manteiga ou com azeite, doces ou salgadas: a sua forma única e delicada e o seu tamanho perfeito, fazem das madalenas uma daquelas confeções a que queremos voltar vezes sem conta. E com a primavera em pausa, nem sequer são precisas desculpas para ligar o forno e preparar uma fornada destas belezas...

 

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MADALENAS COM PEPITAS DE CHOCOLATE

Adaptado da revista Saveurs - Spécial Desserts 2013

 

Para cerca de 27 madalenas

 

150 g de farinha sem fermento

140 g de açúcar

110 ml de azeite extravirgem suave

2 ovos

1/2 colher de café de extrato de baunilha

1 pitada de sal

100 g de pepitas de chocolate negro

Açúcar em pó para polvilhar (opcional)

 

Ligar o forno nos 180º e untar/polvilhar muito bem os tabuleiros de madalenas (normalmente cada tabuleiro tem 9 cavidades).

Bater os ovos com a baunilha, o açúcar e o sal até ficar esbranquiçado.

Peneirar a farinha diretamente para a taça da mistura anterior e envolver com cuidado.

Por fim, envolver o azeite e as pepitas de chocolate.

Dividir pelas cavidades das formas e levar a cozer durante cerca de 15 minutos - vá vigiando.

É opcional, mas pode-se polvilhá-las com açúcar em pó depois de arrefecidas.

 

MAIS RECEITAS DE MADALENAS E QUEQUES:

 

09
Abr19

Bolo Churro [e o desconsolo por não haver um sinónimo para "baking" em português]

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"Fazer bolos". "Cozinhar no forno". "Cozinhar coisas de forno". "Cozer pão, bolos e similares". "Assados doces". E podia estar aqui eternamente, que não conseguiria chegar a um sinónimo satisfatório de baking. Dava mesmo jeito que houvesse um sinónimo em português, que fosse igualmente curto, objetivo e abrangente. Também sentem falta de uma palavra assim? Ou será apenas uma maluquice minha?

 

Eu gosto de cozinhar. Mas gosto ainda mais de... baking.  Se pudesse, estava sempre, não a cozinhar genericamente, mas a... baking.

 

Já tinha pensado nisto, mas a dificuldade voltou a surgir-me ao escrever este post, porque queria repetir que não preciso de grandes desculpas para ligar o forno. E que aquele tipo de receitas de forno são mesmo as minhas favoritas. Basta que as minhas outras tarefas me dêem umas horas de trégua e a minha reação é ir para a cozinha, ligar o forno e fazer um bolo, umas bolachas, uns queques, experimentar uma receita nova ou testar uma nova versão de algo que já tenha... baked antes (estão a ver? não era muito mais fácil se houvesse um sinónimo?)

 

Foi o que aconteceu mais do que uma vez a semana passada e numa dessas oportunidades quis experimentar uma receita de bolo diferente. Pesquisei em livros, revistas e blogues, mas nenhuma receita fazia soar o clique, até que dei de caras com o "Churro Bundt Cake" no Sweet Gula, o blog fantástico do Célio Cruz

 

Como fiz alguns ajustes e trocas de ingredientes, achei que fazia sentido partilhá-la, mas se quiserem seguir a versão do Célio, é só clicar aqui.

 

E por que é que o bolo se chama assim? Eu, ignorante, pensei que se devia só ao facto de levar uma boa camada de açúcar e canela por cima, como é o caso dos churros e das farturas que se vendem por cá. Mas a verdade é que a receita original, ou pelo menos aquela que o Célio seguiu, é brasileira e leva leite condensado cozido na massa (que eu omiti porque não tinha em casa) e não é que no Brasil se comem os churros com leite condensado cozido (que do outro lado do Atlântico se chama "doce de leite")? Daí o nome fazer bastante sentido.

 

Eu decidi servir o bolo com molho de chocolate - inspirada nos churros con chocolate dos nossos vizinhos espanhóis - e só vos digo: fica delicioso. Mas fiquei curiosa com o leite condensado cozido e para a próxima vou querer experimentar - ou "beikar" 🤣 - a versão original.

 

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BOLO CHURRO

[Adaptado do blog Sweet Gula]

 

A minha forma era relativamente pequena, por isso, a par de uma ou outra alteração, usei metade das quantidades da receita do Célio.

 

Ingredientes

 

250 g de farinha sem fermento

1/2 colher de café de bicarbonato de sódio

1/2 colher de chá de fermento em pó

1/2 colher de chá de canela em pó

90 g de azeite extravirgem

200 g de açúcar amarelo

2 ovos L

75 g de iogurte natural

100 g de natas

1 colher de café de extrato de baunilha

+

1 colher de sopa de manteiga derretida

50 g de açúcar

1 colher de chá de canela em pó

+

Molho de chocolate para servir (opcional)

 

Preparação

 

Untar muito bem a forma escolhida e polvilhar com farinha.

Ligar o forno nos 180º.

Numa taça, misturar a farinha peneirada com o bicarbonato, o fermento e a canela.

Noutra taça, misturar o iogurte e as natas.

Noutra, bater o açúcar com o azeite e adicionar os ovos, batendo novamente.

Adicionar a esta última taça, alternadamente e em três vezes, a mistura de natas/iogurte e a mistura dos secos (farinha/fermento...).

Verter a massa para a forma e levar ao forno durante cerca de 40-45 minutos (fazer o teste do palito para ver se está cozido).

Com o bolo ainda morno, pincelá-lo com a manteiga derretida e polvilhá-lo com a mistura de açúcar e canela.

 

Para o molho de chocolate, levar a derreter alguns quadrados de chocolate negro ou de culinária com um pouco leite. Mexer bem e conferir a consistência - deve ficar cremoso - e servir com o bolo.

 

MAIS RECEITAS DE BOLOS:

 

03
Abr19

Bacci di Dama [receita de biscoitos italianos para acordar o blog]

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Olé, olé!

Sei que tenho andado desaparecida aqui pelo blog. Para me redimir, trago-vos uma receita doce, daquelas que não dão muito trabalho mas que fazem um brilharete. Uma receita italiana de biscoitos de avelã recheados com chocolate, curiosamente batizados de "Baci di Dama", ou seja, "Beijos de Dama".

 

Agora vou poucas vezes ao El Corte Inglés (cada vez mais tento fazer tudo - compras, médicos, etc. - o mais perto de casa possível e se o puder fazer a pé, tanto melhor), mas quando vou àquele templo da tentação, acho que já sabem que não resisto a passar pela tabacaria, onde encontramos revistas impossíveis de arranjar noutros locais. Da última vez, trouxe uma GoodFood e uma FoodToLove e foi nesta última, num especial sobre comida italiana, que encontrei a receita.

 

No post que fiz no Instagram em que partilhei uma foto destas bolachas, contei que elas não tinham sido consensuais. Eu fiquei apaixonada à primeira trinca e tive de esconder o frasco, ou teriam sido todas comidas no próprio dia  - e olhem que a receita rende bastante.

 

Mas houve quem as tivesse achado "estranhas". Mas sabem o que é curioso? É que mesmo no caso do sabor e da textura começarem por "estranhar", é quase certo que depois irão "entranhar": no dia seguinte, o provado-mor voltou a comer uma e concluiu que, afinal, "até eram boas". E comeu outra, e a seguir outra... E não foi a única pessoa a ter esta reação!

 

É verdade que sabem imenso a avelã e que a textura é bastante areada e um pouco quebradiça, mas eu achei-as deliciosas. Digo-vos que é com o maior dos desconsolos que neste momento olho para o frasco vazio. Podia fazer outra dose? Podia, mas esta é uma receita calórica, por isso, não quero abusar e vou deixar passar uns tempos até voltar à carga.

 

Mas se desse lado não houver sentimentos de culpa ou dietas rigorosas a decorrer, toca a experimentar estes beijos o quanto antes. Não se irão arrepender!

 

CURIOSIDADE

Consta que a receita original destes biscoitos nasceu na cidade de Tortona, pertencente à região do Piemonte, no Norte de Itália.

 

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BACCI DI DAMA - Biscoitos de avelã recheados com chocolate

 

[ligeiramente adaptado da revista Food to Love - March 2019]

Rende entre 45 a 50 bolachinhas - cerca de 25 recheadas

 

Ingredientes

 

100 g de manteiga amolecida

75 g de açúcar amarelo

100 g de miolo de avelã moído

100 g de farinha sem fermento

+

100 g de chocolate negro de culinária (entre 52% a 70% de cacau)

40 g de manteiga

15 g de miolo de avelã moído ou finamente picado

 

Preparação

 

Ligue o forno nos 180º.

Forre dois tabuleiros de forno com papel vegetal.

Com a batedeira elétrica, bata a manteiga e o açúcar até ficar macio.

Junte a avelã e a farinha e ligue tudo até obter uma massa moldável.

Faça bolinhas um pouco mais pequenas do que brigadeiros e distribua-as pelos tabuleiros, deixando um certo espaço entre elas.

Com o indicador, achate-as ligeiramente a partir do centro e corrija alguma rachadela que possa surgir à volta.

Leve a cozer durante cerca de 10 minutos, mas vá vigiando, até ganharem uma cor dourada suave no rebordo. Retire, aguarde uns cinco minutos e com uma espátula transfira-as para um rede.

 

Enquanto os biscoitos estão no forno, prepare o recheio (a receita original pede o dobro destas quantidades, mas a mim sobrou-me imenso recheio, pelo que sugiro que sigam as medidas que coloquei ali em cima).

 

Leve a manteiga e o chocolate partido em pedaços ao lume, em banho-maria. Quando estiver tudo ligado e macio, retire e deixe arrefecer. Junte a avelã moída e reserve até ficar com uma consistência mais firme (se estiver com pressa e a temperatura ambiente estiver um pouco elevada, leve o creme de chocolate ao frigorífico durante alguns minutos para ganhar consistência).

 

Para montar os biscoitos, barre o fundo de um biscoito com o creme de chocolate e cole outro biscoito pelo fundo, fazendo uma sanduíche. Eu usei saco e bico pasteleiro para dispor o chocolate, mas pode usar uma faca de manteiga ou uma colher pequena.

Depois de prontos, conserve-os bem fechados num frasco hermético.

 

 

OUTRAS RECEITAS DE BOLACHAS E BISCOITOS:

 

06
Fev19

Bolo simples de tângera [ou uma receita para aquecer o inverno]

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Não é que precisasse de ter um blog para isso, mas a verdade é que cozinhar e escrever para o Lume Brando me fez ficar mais atenta às estações do ano e aos produtos que cada uma delas nos traz, valorizando e privilegiando os ingredientes de cada época.

 

De todas as estações, o inverno é aquela que menos me atrai. O frio (da chuva nem se fala) deixa-me de mau humor, não gosto da roupa de inverno e sinto-me sempre pior vestida do que no resto do ano. Sou "friorenta", ando sempre com várias camisolas interiores e casacos e mesmo assim sinto quase sempre um desconforto. Nada menos sexy do que isto, certo?

 

Mas tenho de reconhecer que nem tudo é mau nesta época do ano. Adoro as frutas e os legumes desta altura, e tenho a sorte de muitos dos que me vêm parar à mesa serem de quintais e pomares de família, cultivados de forma natural. Como é o caso das tângeras que usei para fazer este bolo. São do pomar dos meus pais e se há anos em que alguma coisa não corre tão bem e as árvores ficam quase despidas, este ano é vê-las carregadinhas de esferas laranjas bem vibrantes.

 

Tenho várias receitas de bolos de laranja aqui no blog e até um bolo de tângeras um pouco parecido com este, que podem espreitar aqui, mas este é ainda mais simples. Adaptei uma receita do livro "Tesouro das Cozinheiras" - que foi um dos primeiros livros de cozinha que recebi de presente num aniversário, há mais de vinte anos - e ficou ótimo: húmido e fofo ao mesmo tempo.

 

Não têm tângeras? Não faz mal, substituam-nas por laranjas, tangerinas, clementinas... tenho a certeza de que qualquer citrino doce desta família fará o bolo brilhar. Vamos à receita?

 

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BOLO DE TÂNGERAS 

110 ml de azeite

130 g de açúcar amarelo

3 ovos

140 g de farinha sem fermento

1/2 de sopa de fermento em pó

2 tângeras - sumo e raspa

 

Para a calda:

2 tângeras

Açúcar amarelo qb

 

Para a cobertura:

1/2 chávena de açúcar em pó

Sumo de tângera qb (1/2 tângera)

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Unte/polvilhe muito bem uma forma retangular.

Bata o azeite com o açúcar e o sumo de tângera.

Junte os ovos, um a um, mexendo bem. 

Adicione a raspa das tângeras e por fim a farinha e o fermento - estes de preferência peneirados, para não criar grumos.

Verta para a forma e leve a cozer durante cerca de 30-40 minutos - vá espreitando, o tempo de cozedura vai variar não só de acordo com cada forno ou até a humidade que estiver nesse dia, como com a forma que se utilizar, mais baixa ou mais alta, por exemplo. Faça o teste do palito para saber se está pronto: espete um palito no centro do bolo, se sair seco, o bolo está cozido.

Desenforme e deixe arrefecer.

 

Para a calda, obtenha o sumo de duas tângeras, adoçe com açúcar amarelo a gosto (eu usei 1 colher de sopa de açúcar) e leve ao lume para aquecer e o açúcar derreter. Verta sobre o bolo já arrefecido.

 

Para a cobertura: vá juntando sumo de tângera ao açúcar e mexendo bem com uma vara de arames até obter o glacê que pretende: o meu ficou relativamente fluído. Verta por cima do bolo e sirva.

 

MAIS BOLOS COM CITRINOS:

30
Jan19

Bolo formigueiro [e a minha grande resolução para 2019]

bolo_formigueiro_1.jpg

bolo_formigueiro_5.jpg

 

O bolo formigueiro é uma receita muito popular no Brasil. E sabem por que é que se chama assim? Aposto que muitos de vós sabem. O nome deve-se ao granulado de chocolate que se adiciona à massa, que depois de cozida fica sarapintada de "formigas". Apesar de eu achar imensa piada ao nome, acho que também se poderia batizar de bolo stracciatella. Mal parti o bolo e vi a massa, lembrei-me do gelado.

 

Esta não é a receita original (se é que existe uma). Fiz várias alterações a uma receita que vi no Pinterest e fiquei bastante satisfeita com o resultado. Pelas fotos, pode parecer que é um bolo demasiado seco, mas não. Ok, não é um bolo para sobremesa, mas é ótimo para o lanche ou para saciar aquele ratinho entre refeições, com um café ou um chá a acompanhar. Aviso: não é fácil ficar apenas por uma fatia ou duas, eu tive de partilhar o meu, se não, ia ser uma desgraça 😅.

 

Como quase sempre, substituí a manteiga por azeite extravirgem. Gosto muito de usar azeite em bolos, acho que funciona muito bem e não entendo por que em muitas receitas de bolos e sobremesas "saudáveis", nomeadamente portuguesas, o óleo de coco aparece mais vezes do que o azeite. Para além de ser mais caro, o óleo de coco não é um produto nosso, pressupondo, desde logo, uma maior pegada ecológica para chegar até nós. Atenção: eu gosto de experimentar produtos novos, de variar ingredientes e até tenho um frasco de óleo de coco cá em casa. Mas entre o azeite, que pode ser 100% português e cujos benefícios estão mais do que provados, e o óleo de coco,  gordura altamente saturada, cujo efeito na saúde ainda divide os especialistas, eu prefiro o primeiro.

 

Mas deixemos eventuais polémicas para trás e, antes de passarmos à receita, falemos da minha grande resolução para este ano: aprender o mais possível sobre fotografia de comida. E praticar, claro. Quero chegar ao final de 2019 e sentir que evoluí (muito) nesta área. Muitos poderão dizer que as minhas fotografias já são bonitas e, ainda que às vezes também goste delas, nos últimos tempos tenho-me sentido algo estagnada e quero fotografar ainda mais e melhor.

 

Adorava que me acompanhassem nesta jornada! Para isso, o melhor é seguirem-me no Instagram. Nas próximas semanas estarei a participar no Winter Challenge do blog The Little Plantation, de Kimberly Espinel - uma oportunidade para me obrigar a fotografar mais e a sair da minha zona de conforto, pois temos de fotografar de acordo com temas pré-definidos, três temas por semana durante quatro semanas. Logo de seguida irei fazer um curso online de Food Photography & Food Styling, também com a simpática e talentosa Kimberly.

 

Para além disso, tenho visto imensos vídeos e lido muitos artigos sobre fotografia de comida e prometo que vou fazer alguns posts sobre esta aventura, combinado?

 

Agora, vamos à receita do meu Bolo Formigueiro!

 

bolo_formigueiro_2.jpg

 

O MEU BOLO FORMIGUEIRO

 

170 g de açúcar

120 g de azeite extravirgem

3 ovos L

170 ml de leite

1/2 colher de café de extrato ou aroma de baunilha

250 g farinha sem fermento

1 colher de sopa de fermento em pó

40 g de coco ralado

60 g de granulado de chocolate (aquele usado para revestir brigadeiros)

 

Ligar o forno nos 180º

Untar muito bem/polvilhar com farinha uma forma de buraco "grandinha".

Numa taça bater o açúcar com o azeite e juntar os ovos, um a um.

Adicionar a baunilha ao leite. Juntar o fermento à farinha.

Adicionar estas misturas à taça da mistura de ovos/açúcar/azeite de forma intercalada, sendo que a última adição deve ser de farinha e fermento. 

Juntar por fim o granulado de chocolate e o coco e envolver bem.

Verter para a forma e levar a cozer durante cerca de 40/45 minutos - para saber que está pronto espete um palito no centro do bolo, que deve sair seco ou com migalhas grossas agarradas (neste caso, já pode tirar do forno, mas reforce os cuidados ao desenformar).

Deixar arrefecer e polvilhar com açúcar em pó antes de servir ou, se preferir, pode decorar com ganache ou chocolate derretido.

 

GOSTARAM DESTE BOLO? ENTÃO TAMBÉM VÃO GOSTAR DESTES:

 

23
Jan19

45 [e o bolo de limão mais fofo e húmido de sempre]

bolo_limao_more.jpg

 

Fiz anos a semana passada. Um número gordo que sempre associei às pessoas "mais velhas". Sinto isso desde que fiz quarenta. Parece que a idade não encaixa, não me sinto como sempre pensei que se sentiriam as pessoas com mais de quarenta: maduras, sérias, sábias.

 

Pelo contrário, sinto-me uma miúda, alguém que não se leva demasiado a sério, com muito para aprender. Que diabo, quarenta era a idade das mães, das tias, daquela vizinha já com filhos grandes. Como é que, de repente, eu própria já tenho 45?!

 

Bom, o cartão de cidadão não engana e foi já há uma semana que soprei essas velas todas. E na verdade, apesar do número custar um nadinha a engolir, não podia estar mais feliz. Tenho uma família fantástica, incluindo um marido e dois filhos maravilhosos, amigos, faço o que gosto, tenho o que preciso e, este ano, até a meteorologia resolveu dar-me um dia de sol (quando fiz quarenta, por exemplo, o tempo estava péssimo, chovia imenso). Não me posso queixar, pois não?

 

Para celebrar, fiz um bolo de limão diferente mas delicioso. Diferente porque decidi cozer a massa de bolo de anjo (ou angel food cake) numa forma alta normal, ou seja, sem buraco/ sem chaminé.

 

Adoro a textura e a humidade deste bolo, que a tradição manda cozer numa forma de alumínio com chaminé e com umas "patinhas", que servem para que, depois de cozido, ele fique a arrefecer na forma, virado ao contrário, mas com ar a circular por baixo. Como não tenho uma forma dessas, sempre fiz o bolo numa forma de chaminé tipo pão de ló e depois colocava a forma virada para baixo, com a chaminé apoiada num frasco estreito, para ficar acima da superfície (para verem o meu bolo de anjo coberto com doce de ovos e ver a receita original, cliquem aqui.)

 

Desta vez queria um bolo relativamente alto e liso e resolvi arriscar. Troquei ainda a baunilha da receita original por raspa de limão. Depois de frio e desenformado (mais abaixo, na descrição da receita, explico como fiz para que o ar circulasse debaixo da forma durante o arrefecimento), barreio-o todo com um creme de mascarpone e lemon curd. D-e-l-i-c-i-o--s-o!

 

bolo_limao_velas.jpg

 

 

A única desvantagem que senti ao usar esta forma foi que o bolo abate um pouco no topo, no centro. Mas como a ideia era decorar, enchi a cavidade de creme e não dá para notar ;)

 

Esta é uma receita para um bolo relativamente grande e não é muito fácil dividir em duas para fazer apenas metade, por isso o que fiz foi cozer dois bolos: o outro cobri-o com doce de ovos, na continuação dos festejos 🙈. Afinal, se o número é grande, que se celebre em grande também 😆.

 

Ah, se experimentarem este bolo, digam-me como correu. Podem deixar um comentário aqui, no facebook ou no Instagram, como preferirem ;)

 

bolo_limao_4.jpg

 

BOLO ANJO DE LIMÃO COM COBERTURA DE MASCARPONE E LEMON CURD

 

Para a massa:

Adaptado do livro "Martha Stweart's Baking Handbook"

 

Estas quantidades dão para 1 bolo grande ou 2 bolos pequenos (usei 1 forma com 16 cm de diâmetro e outra com 14 cm, ambas altas - 10 cm de altura)

 

1 chávena de farinha sem fermento
1 + 1/2 chávenas de açúcar 
13 claras L à temp. ambiente 
1 colher de sopa de água morna
1/2 colher de chá de sal
1 colher de chá de cremor tártaro
2 colheres de sopa de raspa de limão

(chávena de 250 ml de capacidade)

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Se for usar formas normais, sem buraco, forre o fundo com papel vegetal (mas não unte - para este bolo não se deve untar as formas).

Usando duas taças, peneire a farinha umas duas ou três vezes e reserve.
Na taça da batedeira eléctrica, bata as claras com a água morna em veloc. baixa, até ficar em espuma. Junte o sal e o cremor tártaro. Bater em velocidade média-alta, até surgirem picos macios, cerca de 3 minutos. Com a batedeira a trabalhar, junte as raspas de limão e o açúcar, colher a colher, até a mistura ficar bem espessa e brilhante, cerca de 2 minutos (não bata demasiado, não deve ficar seco).
Nessa taça, se for grande, ou transferindo as claras para uma taça maior, envolva a farinha nas claras, com uma espátula de borracha, em 6 vezes.
Verta a massa para a(s) forma(s) e passe uma faca pela massa, para retirar bolsas de ar.

Alise e leve ao forno cerca de 25/30 minutos (formas pequenas) ou 40 minutos (forma grande de buraco), no nível médio do forno.

Está pronto quando a massa estiver bem dourada e quando, se pressionar levemente com os dedos, voltar rapidamente à forma inicial.
Retire do forno e inverta as formas sobre uma rede de arrefecimento, idealmente um pouco levantada da superfície, para permitir que o ar circule por baixo (eu coloquei a rede sobre duas taças. Se usar forma de buraco, apoie a chaminé sobre um frasco estreito.
Deixe arrefecer completamente (cerca de 1h30/2 horas). Passe uma espátula fina à volta da forma para soltar o bolo. Desenforme para o prato de servir. 

 

Para a cobertura:

1 emb. de queijo mascarpone

Lemon curd a gosto*

 

Bata o mascarpone em chantilly e junte lemon curd até obter o sabor desejado (aí umas 5 ou 6 colheres de sopa generosas).

Com a ajuda de uma espátula, barre o bolo com este creme. Se quiser, decore com rodelas de limão e sirva o bolo com mais lemon curd.

 

*LEMON CURD

2 ovos L

100 ml de sumo de limão

140 g de açúcar

50 g de manteiga à temperatura ambiente

1 colher de sopa de raspa de limão

 

Num tachinho de fundo espesso, misture bem os ovos com o açúcar e o sumo de limão. Leve ao lume médio, mexendo sempre com um batedor de varas, para não ganhar grumos, até engrossar, o que deve demorar menos de 10 minutos (deve ficar um creme não demasiado espesso, uniforme e brilhante, que irá ficar mais consistente depois de arrefecido). Retire do lume e incorpore a manteiga e a raspa de limão. Espere um ou dois minutos e mexa com um batedor e varas, até a manteiga estar bem derretida e bem distribuída pelo creme. Verta para frascos limpos, deixe arrefecer, tape e guarde no frigorífico até usar. Conserva-se bem tapado no frigorífico cerca de 15 dias.

 

MAIS RECEITAS DOCES COM LIMÃO:

Teresa Rebelo

foto do autor

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