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Lume Brando

12
Set19

Parfaits de tarte banoffee [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #9]

Parfait de tarte banoffee

Livro "Novas Receitas Paleo" de Irena Macri

 

Livros de cozinha nunca são demasiados, certo? 😁

Como já devem ter dado conta, tenho vindo a aumentar a minha coleção de livros de culinária e, pelo caminho, vou partilhando convosco algumas conclusões sobre os livros que vou escolhendo. E claro, nesses posts partilho sempre uma receita retirada do livro em destaque.

É a rubrica "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes", em parceria com a Livraria Bertrand, que já vai no 9º livro!

 

Partfait de tarte banoffee

 

Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #9

"Novas receitas paleo" - Irena Macri - ArtePlural Edições

Antes de avançar para a descrição e apreciação do livro, devo esclarecer que não sigo, nem defendo, uma dieta paleo. Aliás, já devem ter percebido que por aqui se come um pouco de tudo. Sinto que há argumentos e princípios interessantes em cada uma das dietas ou regimes alimentares mais conhecidos, mas continuo a achar, por agora, que ser flexível é o que faz mais sentido para mim e para a minha saúde.

 

No entanto, gosto de saber mais sobre os diferentes regimes e dietas. Se há umas semanas vos falei do veganismo, através do livro da Filipa Range - "Desafio Vegan em 15 dias", hoje trago-vos um livro que fala da 'dieta paleo', de Irena Macri.

 

De origem ucraniana, Irena vive há muitos anos na Austrália e este é já o seu segundo livro traduzido para português. Nele fala-nos de uma dieta paleo um pouco mais flexível do que aquela que apresentava no primeiro livro. Chama-lhe a dieta paleo 80/20, ou seja, com 80% de receitas especificamente paleo e 20% de receitas que incluem ingredientes que fogem ao âmbito restrito deste regime alimentar.

 

Mas afinal, o que é a dieta paleo? Na sua essência, e de acordo com as palavras da autora, "é um regime alimentar que baseia os seus princípios fundamentais nos hábitos dos nossos ancestrais caçadores-recoletores, que viveram antes das revoluções agrícola e industrial" (...).

 

A dieta paleo é "rica em proteína animal e gordura" (a autora sublinha mais à frente que estes alimentos devem ser de elevada qualidade e oriundos de produção biológica) e inclui também "legumes, fruta, bagas, frutos secos e sementes". (...) "Embora o regime paleo não implique reproduzir à risca a dieta do homem das cavernas, baseia-se na nossas raízes alimentares, combinando esses hábitos com outros que foram mais recentemente considerados benéficos, de acordo com os estudos atuais sobre saúde evolutiva, nutrição e estilo de vida holístico".

 

Parfait de tarte banoffee

 

Alguns aspetos do livro podem chocar ou surpreender. Quando Irena fala dos ingredientes nutritivos favoritos, há um que parece ir contra as tendências e os alertas de saúde mais recentes: a carne vermelha (ainda que a autora sublinhe que deve advir de animais criados em pastos, ao ar livre). E ao falar de "boas fontes de amido", diz que prefere o arroz branco ao integral (um ingrediente da parcela dos 20%): "Ao contrário do arroz integral, o arroz branco contém muito poucos antinutrientes prejudiciais à saúde, como as lectinas, os fitatos e os inibidores de tripsina que estão concentrados na casca e nas camadas de farelo dos grãos de arroz e que são removidos durante o processo de moagem e polimento."

 

Não digo que a autora esteja a dizer inverdades. Parece-me ter um discurso consistente (ainda que eu tenha algumas dúvidas e preocupações sobre os reais efeitos de uma dieta paleo seguida de forma estrita e leviana), e as suas receitas são apresentadas com informação nutricional detalhada. Julgo que o mais certo é todos terem razão: quem diz que o arroz integral tem benefícios porque tem um índice glicémico menor e mais nutrientes e quem diz que (paralelamente) este apresenta também um maior número de antinutrientes (compostos naturais ou sintéticos que interferem na absorção de nutrientes).

 

Com tanta informação a circular sobre comida e alimentação, com tantas opiniões diferentes - muitas vezes, pelo menos numa leitura superficial, contraditórias - é fácil ficarmos confusos. É uma das razões pelas quais o meu único lema em termos alimentares é VARIAR.

 

A autora diz também que evita os cereais - na 'dieta paleo' o pão, praticamente, não entra! - as leguminosas ("porque contém toxinas e proteínas que podem prejudicar a inflamação e a digestão), o açúcar refinado, as gorduras pouco saudáveis e alguns laticínios, nomeadamente os "magros", por terem normalmente "mais açúcar e aditivos nocivos".

 

Parfait de tarte banoffee

 

Apesar do "rótulo" paleo, gostei do livro, até porque a generalidade das receitas me parecem equilibradas e saudáveis, podendo ser integradas numa rotina alimentar 'não paleo' (ainda que, no meu caso, tencione substituir o óleo de coco, que aparece amiúde, pelo azeite).

 

São receitas muito variadas, na sua maioria salgadas (também não imagino os homens do paleolítico a deliciarem-se com bolos e doces 🤪). Há sugestões para pequenos-almoços,  menus temáticos incluindo refeições vegetarianas e veganas, bebidas, muitas saladas e acompanhamentos. Há receitas rápidas, outras reunidas por serem baratas (ainda que estes dois atributos sejam algo relativo) e ainda outras agrupadas na categoria dos "básicos".

E há até um plano quinzenal de refeições no final do livro, com sugestões para o pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar.

 

Do que é que eu gostei mais? De haver muitas receitas com legumes e muita cor, em fotografias que nos deixam a babar.

 

Resumindo:  "Novas receitas paleo" é um livro bonito (não há dúvidas de que os australianos sabem fazer livros de cozinha - ver a minha crítica ao livro de Matt Preston neste post). As fotografias e o design gráfico são cativantes, ainda que haja uma ou outra receita sem fotografia. É um livro que tem perfeitamente lugar numa cozinha que não seja estritamente paleo. As receitas são criativas e estão descritas com razoável detalhe, incluindo doses, tempo e perfil nutricional. Alguns ingredientes são pouco comuns (existe inclusivamente um glossário), mas parece-me fácil omiti-los ou substituí-los por outros. 

 

Livro "Novas Receitas Paleo" de Irena Macri

Querem saber mais sobre o livro "Novas receitas paleo", de Irena Macri? Espreitem aqui, na Livraria Bertrand. 

Ah! E já me seguem no Instagram? Costumo mostrar o interior dos livros desta rubrica nas stories!

Parfait de tarte banoffee

PARFAITS DE TARTE BANOFFEE

(receita original: "Novas receitas paleo", de Irena Macri)

 

Para 4/6 copos, dependendo do tamanho

3 bananas médias

1/2 chávena de natas de coco (usei a parte sólida do leite de coco, depois de umas horas no frigorífico)

1/2 chávena de coco seco em flocos

1/3 chávena de avelãs torradas picadas

1/2 chávena de coco em lascas

1/3 chávena de amêndoa em palitos ou lascas

2/3 de chávena de creme-caramelo (receita mais abaixo)*

1 chávena de iogurte grego natural (ou iogurte vegetal)

4 colheres de sopa de pepitas de chocolate negro

 

Corte duas das bananas às rodelas, coloque-as num saco de congelação e leve-as ao congelador durante 30/45 minutos.

Numa frigideira antiaderente, toste a amêndoa e as lascas de coco (e a avelã se for caso disso). Reserve.

No processador ou robot de cozinha, triture as bananas semicongeladas com as natas de coco (não sei se existem natas de coco à venda cá ou se o equivalente é o creme de coco que já vi à venda; eu levei uma lata de coco ao frigorífico umas horas antes e, depois, usei a parte sólida que se formou na parte superior da lata), até obter um creme aveludado.

Corte a banana restante às rodelas (pode regar com sumo de limão para não oxidar)

Para montar os parfaits, comece por fazer, em cada copo, uma camada de frutos secos e coco tostado e uma camada generosa de creme de coco e banana; a seguir, disponha por camadas: creme-caramelo (ou leite condensado cozido, veja a minha nota mais abaixo), iogurte, frutos secos e coco, pepitas de chocolate, rodelas da banana. Termine com mais frutos secos e coco, pepitas de chocolate e mais um pouco de creme-caramelo ou leite condensado cozido.

Sirva de imediato.

 

CREME-CARAMELO

Para cerca de 250 g

3,5 colheres de sopa de ghee ou óleo de coco

1/3 de chávena de mel

1,5 chávenas de leite de coco bem agitado

1 colher de sopa de essência de baunilha

Uma pitada de sal marinho

 

Aqueça o ghee ou óleo de coco com o mel num tacho pequeno, até começar a fervilhar.

Nessa altura, junte o leite de coco, aos poucos e mexendo sempre.

Adicione a baunilha e deixe levantar fervura.

Reduza para lume brando e deixe cozinhar durante cerca de 30 minutos, mexendo com frequência. Cozinhe mais 15 minutos no mínimo. Vá mexendo até verificar que começou a engrossar, o que deve acontecer nos minutos finais. O creme deve ficar grosso, mas "mole" - vai espessar ao arrefecer. Retire do lume e guarde num frasco hermético. Conservar no frigorífico até um mês (a autora diz que o creme pode ser reaquecido suavemente para voltar à consistência inicial. Eu tentei requecer uma parte, mas não correu bem: a gordura separou-se do resto e ficou inutilizável. Aconselho antes a que retirem o creme do frigorífico com tempo ou... ainda mais prático, saltem a parte de fazer o creme-caramelo e usem leite condensado cozido, como explico a seguir).

 

*Eu segui a receita à risca, fazendo, inclusivamente, o creme-caramelo de mel e coco, que me demorou mais do que uma hora a fazer; se não seguem uma dieta vegana, aconselho a substituírem o creme-caramelo por leite condensado cozido.

 

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11
Set19

Sanduíches deliciosas em pão bagel [com Peito de Peru Forno a Lenha Primor]

 Sanduíches de bagels [com Peito de Peru Forno a Lenha Primor]

Peito de Peru Forno a Lenha Primor

 

Quem me acompanha na missão de aproveitar o verão até ao último raio de sol e até ao último dia de manga curta e perna ao léu?

 

Na próxima semana começa definitivamente o ano letivo (pelo menos para os dois estudantes cá de casa), daqui a nada entramos no outono, mas a verdade é que setembro chegou acalorado e ainda há alguns fins de semana para gozar ao ar livre. Ainda não arrumei os cestos e as mantas dos piqueniques e já sei que sanduíches irei levar para o próximo almoço al fresco: estes bagels caseiros recheados com coisas boas, incluindo o Peito de Peru Forno a Lenha da Primor Charcutaria.

 

As suas fatias finas, nutricionalmente equilibradas e com um delicado sabor fumado, são a estrela destas camadas coloridas, que incluem alface, tomate, cebola roxa, queijo cheddar e ainda um molho de mostarda e mel... Foi o nosso almoço on the road no dia em que fomos de férias e souberam-nos pela vida.

 

Não querem ter o trabalho de fazer os bagels? Não se preocupem, o Peito de Peru Forno a Lenha Primor, da gama Balance, é um produto versátil e, com estes ou outros ingredientes a acompanhar, faz umas sanduíches deliciosas em qualquer tipo de pão. Eu usaria um pão chapata, umas fatias de pão rústico ou, por que não, um pão brioche adoçicado para contrastar com o salgado do queijo e do Peito de Peru.

 

De seguida, deixo a combinação de ingredientes que usei para estas sanduíches, assim como a receita dos bagels, ligeiramente adaptada da receita de bagels da Filipa Gomes.

Enjoy!

Peito de Peru Forno a Lenha Primor

Sanduíche de Bagel com peito de peru forno a lenha Primor

 

SANDUÍCHES DE BAGEL COM PEITO DE PERU FORNO A LENHA PRIMOR

 

Para os bagels - 8 unidades

[Receita original: Filipa Gomes - 24 Kitchen]

300 a 350 ml de água morna

1 colher de sopa de açúcar

500 g de farinha de trigo "forte" [eu usei farinha de espelta com 12% de proteínas]

6 g de fermento de padeiro seco [cerca de 1/2 envelope de Fermipan]

1,5 colheres de chá de sal fino

1 ovo para pincelar

Água qb

Azeite qb

Sementes a gosto qb [usei sésamo e girassol]

 

Para o recheio:

Queijo creme qb

8 folhas grandes de alface

1 cebola roxa pequena em rodelas finas

8 fatias de queijo cheddar

12 tomates cereja ou 2 tomates médios

1 embalagem de Peito de Peru Forno a Lenha Primor

 

Para o molho:

Mel qb

Mostarda qb

Azeite qb

Pimenta preta acabada de moer



Comece por preparar os bagels.
Colocar uma pequena parte da água numa taça, com o açúcar e o fermento de padeiro. 
Misturar e deixar repousar 5 minutos.
Na taça da batedeira, colocar a farinha, o sal e quase toda a água morna (se por um lado, pode não precisar de toda, por outro, no final, poderá ter que acrescentar mais um pouco, vai depender do tipo e da marca de farinha que utilizar).
Juntar a mistura de fermento e açúcar, voltar a misturar e amassar com o gancho da batedeira cerca de 6 minutos, até obter uma massa elástica e pouco pegajosa.
Tapar com película aderente e deixar levedar até dobrar de volume.
Assim que tiver duplicado de volume (vai depender da temperatura ambiente, mas se o fizer por estes dias, deve demorar cerca de 30 a 45 minutos), voltar a amassar mais um pouco manualmente e formar um rolo.
Dividir em 8 parte iguais e moldar cada parte numa bola.

Passar o polegar por farinha e pressionar o centro da bola, fazendo um orifício e dando-lhes a forma de um donut. 
Polvilhar com farinha, tapar com um pano e deixar levedar mais cerca de 15 minutos.
Entretanto, ligar o forno nos 220º e colocar um tacho largo com água ao lume.
Transferir cada bagel para o tacho de água a ferver (não vão caber todos de uma vez, porque ficam bastante grandes) e deixar cozinhar um minuto de cada lado, virando-os com a ajuda de uma escumadeira.

Colocar sobre um tabuleiro forrado com papel vegetal e untado com azeite.
Entretanto, bater um ovo com uma colher de sopa de água e pincelar os bagels.
Polvilhá-los com as sementes escolhidas e levar a cozer durante cerca de 20 minutos.

Retirar, deixar arrefecer e estão prontos para rechear!

 

Para rechear:

Lavar a alface e os tomates e preparar todos os ingredientes do recheio, incluindo o molho. Para fazer este, basta colocar numa tacinha 1 colher de sopa de mostarda, 1 colher de sobremesa de mel e juntar azeite até obter um molho encorpado mas relativamente fluído. Temperar com pimenta preta acabada de moer (e sal, se achar necessário).

 

Abrir os bagels ao meio e barrar a metade inferior com queijo creme. Sobrepor uma folha de alface, fatias de Peito de Peru Forno a Lenha, uma fatia de queijo cheddar, rodelas de tomate, aros de cebola, e terminar com um bom fio de molho de azeite, mostarda e mel.

Bom apetite!

 

Post patrocinado. No entanto, o conteúdo foi desenvolvido e escrito inteiramente por mim, expressando as minhas ideias e opiniões livres sobre o produto.

 

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07
Set19

O Lume Brando faz anos! [Um bolo e três livros para oferecer]

15º aniversário do Lume Brando

Bolo de chocolate ruby com recheio de lemon curd e cobertura de mascarpone e natas

Livro Estava Tudo Ótimo!

"Um blog. Tenho um blog, nem acredito. Achava que esta modernice não tinha nada a ver comigo. E se calhar não tem. Estive a pensar e cheguei à conclusão que esta vontade súbita de criar um blog é uma espécie de “desejo de gravidez”. Como ainda nem sequer sei se é um feijão ou uma ervilha, aquela coisa bonita que está a crescer na minha barriga, uma vozinha disse-me que o melhor era dar jà à luz qualquer coisa. E pronto: nasceu o lume brando, que é como quem diz, um blog para ir cozinhando e digerindo sem grandes pressas."

 

O que acabaram de ler foi o meu primeiro post. O meu primeiro texto. Sem qualquer fotografia a acompanhar. Era o dia sete de setembro de 2004 e estava grávida pela primeira vez. Não sei muito bem por quê, mas nunca, ao longo destes 15 anos, celebrei o aniversário do blog. Ou porque quando me lembrava a data já tinha passado, ou porque, quando me lembrava a tempo, me dava uma certa preguiça e desvalorizava o facto.

 

Mas este ano apeteceu-me assinalar o momento. Quando dei início ao blog, não fazia ideia de que passado tanto tempo o projeto ainda estaria online. Na verdade, não tinha quaisquer expectativas, só queria ter um espaço onde pudesse escrever e falar sobre comida.

 

Quinze anos depois, a paixão pela culinária mantém-se e entretanto foi surgindo uma nova: pela fotografia de comida. Pelo meio, tive outro filho, conheci pessoas incríveis com quem partilho o entusiasmo por estes temas, tornei-me redatora freelancer, provei ingredientes novos, nem tudo o que cozinhei saiu bem, fiz bolos decorados e cozinhei "para fora", escrevi e fotografei um livro de receitas, fui aluna de vários workshops e dinamizei outros tantos, reuni uma considerável coleção de livros de cozinha, engordei alguns quilos 🤪

Bolo de chocolate ruby com recheio de lemon curd e cobertura de mascarpone e natas

 

Apesar de quinze anos depois, o Lume Brando continuar a ser um projeto muito pessoal, a verdade é que sem o feedback positivo de quem está do outro lado - vocês! -  hoje não estaria aqui a celebrar o aniversário do blog. Por isso, obrigada por cada visita, por cada um dos vossos comentários aqui, por cada like e comentário nas publicações do Facebook e do Instagram, por cada mensagem a dizer que fizeram uma das minhas receitas e que gostaram, por cada dica partilhada, por cada palavra carinhosa e motivadora relativamente às minhas fotografias, ao longo desta década e meia.

O-B-R-I-G-A-D-A 💛

 

E como não há festa sem bolo (a receita segue mais abaixo) e sem presentes, estou a dinamizar dois passatempos: um na página do Lume Brando no Facebook e outro no Instagram, cujo prémio em cada uma das plataformas é um exemplar do meu livro "Estava tudo ótimo!". É muito fácil participar e tentar ganhar! Mas enquanto fazia este post, resolvi oferecer um terceiro livro! Sabem a quem? À primeira pessoa que aqui nos comentários me disser o que está mal numa das imagens deste post 😉 [uma pista: a resposta não é um aspeto técnico - não é a exposição exagerada 😆 - mas sim uma, digamos, "incongruência"].

 

Uma vez mais, O-B-R-I-G-A-D-A💛 por continuarem desse lado e terem tornado esta caminhada tão doce e colorida!

Bolo de chocolate ruby com recheio de lemon curd e cobertura de mascarpone e natas

Bolo de chocolate ruby com recheio de lemon curd e cobertura de mascarpone e natas

BOLO DE CHOCOLATE RUBY COM RECHEIO DE LEMON CURD E COBERTURA DE MASCARPONE E NATAS

[a partir da receita do bolo Yang do livro Estava tudo ótimo!]

 

4 ovos, separados

85 ml de azeite extravirgem suave

100 g de açúcar branco

100 g de chocolate ruby picado (usei o novo da Pantagruel, mas também podem usar chocolate branco)

150 g de farinha sem fermento

1,5 colheres de chá de fermento em pó

1 colher de chá de extrato de baunilha

 

Para o recheio:

4 colheres de sopa de lemon curd (usei o que me tinha sobrado destas panacotas)

 

Para a calda:

3 colheres de sopa bem cheias de doce de pêssego

O mesmo peso em água

 

Para a cobertura:

1 pacote de natas para bater bem frias

1 pacote de mascarpone bem frio

1 colher de sopa de açúcar

1 colher de café de extrato de baunilha

Umas gotinhas de sumo de limão

 

Ligue o forno nos 170º.

Unte muito bem uma forma alta de 14 cm de diâmetro (ou duas mais baixas com este diâmetro) e forre o fundo com papel vegetal, untando novamente.

Bata as gemas com o açúcar, o azeite e a baunilha.

Junte o chocolate picado.

Bata as claras em castelo com uma pitada de sal e envolva no preparado anterior.

Por fim, junte aos poucos, sem mexer demasiado, a farinha e o fermento peneirados.

Verta para a(s) forma(s) e leve ao forno entre 30 a 45 minutos, dependendo das formas (se usar uma só, alta, vai demorar mais a cozer; fique atento e faça o teste do palito antes de retirar do forno, aquele deve sair limpo).

Passe uma faca de manteiga à volta da forma e desenforme sobre uma rede forrada com papel vegetal. Deixe arrefecer.

 

Entretanto faça a calda levando a ferver o doce de pêssego com a água. Coe e reserve.

Bata as natas e o mascarpone em chantilly com um pouco de açúcar (para mim uma colher de sopa é mais do que suficiente) e o extrato de baunilha . Para ajudar a prender adicione a meio do processo umas gotinhas de limão.

 

Para rechear e montar:

Corte o bolo em três (se fizer em duas formas, pode tentar partir cada bolo em dois e obter três camadas de recheio). Coloque a primeira camada no prato de servir, pique com um garfo e regue com um parte da calda. Recheie com o lemon curd.

Coloque a camada do meio e volte a picar/regar com a calda. Coloque uma camada de lemon curd e termine com a última camada de bolo, picando e regando.

Barre todo o bolo com uma primeira camada do chantilly de mascarpone. Leve ao frigorífico durante cerca de 25 minutos e volte a barrar, decorando ao seu gosto.

 

Nota: o ideal é fazer o bolo de véspera, fica melhor ;)

 

MAIS BOLOS DE FESTA? ESPREITEM AQUI:

05
Set19

Panacota de lima e limão [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #8]

Panacota de lima e limão

Panacota de lima e limão

Panacota de lima e limão

 

Apesar do calendário o desmentir, as temperaturas dos últimos dias dizem-nos que estamos no pico do verão. As tartes e os crumbles de outono vão ter de esperar. A boa notícia é que o livro desta semana do "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes" tem receitas para todas as estações do ano. 

 

Falo do livro "As receitas de Cristina Manso Preto", da popular colaboradora do programa Praça da Alegria da RTP, onde há vários anos apresenta uma rubrica de culinária.

 

Sabiam que este é já o 8º livro no âmbito do #dizmeoquelês, iniciativa que conta com apoio da Livraria Bertrand? Onde, aliás, podem encontrar todos os livros de que falo aqui [para saberem mais sobre os livros anteriores, é só clicar nos links no final deste post].

 

Livro de Cristina Manso Preto

Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #8

"As receitas de Cristina Manso Preto" - Cristina Manso Preto - Porto Editora

 

Mal comecei a folhear o livro, fiquei com a sensação de que se iria converter num dos meus favoritos. Porque adoro comida de conforto (quem não gosta?) e se tivesse de descrever o conteúdo do livro da Cristina numa só frase seria "comida de conforto à portuguesa". Porque mesmo que apresente alguns clássicos que vieram lá de fora, como os scones, a charlotte, o risotto ou o chilli, todos ganharam um toque português, seja nos ingredientes ou na confeção simplificada.

 

É um livro suculento, cheio daquelas receitas que só de ler sabemos que vão ser um "crowd-pleaser", com recurso aos ingredientes que tradicionalmente nos são familiares, incluindo aqueles que agora estão ausentes de muitos regimes: manteiga, natas, farinha de trigo, carne, peixe, enchidos. Apesar destes ingredientes estarem atualmente quase "demonizados", não se pense que o livro é um elogio à alimentação pouco saudável, nada disso. Se não tivermos qualquer impedimento de saúde ou ideológico e os consumirmos com equilíbrio, não há porque retirá-los da nossa dieta.

 

Estas são receitas que seguem o estilo de cozinha da maioria das nossas mães e que continuam a agradar a miúdos e graúdos que não tenham nenhum tipo de restrição alimentar. E há receitas simples e saudáveis, como a "Sopa fria de meloa com hortelã" ou as "Bolachas de requeijão e alecrim", e outras que nós e a Cristina sabemos que são apenas para dias especiais, como os "Jesuítas" ou a "Tarte merengada de frutos vermelhos". O livro inclui ainda algumas receitas "sem glúten".

 

São sete as categorias em que estão agrupadas: "Super fácil", "Para aquecer a alma", "Para refrescar os dias", "Para momentos de gula", "Mãos na massa", "As preferidas cá de casa" e ainda "Para nada desperdiçar", com sugestões para aproveitamento de sobras.

 

Panacota de limae limao

 

Se gosta de receber em casa, este livro é para si. Tenho a certeza de que começará logo a imaginar as festas e os jantares onde poderá servir estas propostas. E se as receitas salgadas prometem ser deliciosas, as doces são uma verdadeira tentação. Deixo aqui alguns exemplos: "Bolo merengue de chocolate", "Pudinzinhos de café", "Charlote de chocolate e frutos vermelhos", "Mousse de coco e lima", "Embrulhos de maçã caramelizada", "Tarte de damascos e amêndoas", "Panacota de limão" [cuja receita apresento mais abaixo, numa versão que inclui também lima], "Bolo de São Martinho", "Bolo de mil-camadas"... e a lista poderia continuar bem gulosa.

 

Resumindo: "As receitas da Cristina Manso Preto" é um daqueles livros que encaixa como uma luva nas prateleiras de uma cozinha familiar, onde a azáfama se instala não só em dia de celebrações maiores como num jantar de amigos. Um livro para quem come de tudo e gosta de cozinhar de tudo. São mais de 80 receitas, que vão desde pão para o pequeno-almoço a sobremesas vistosas, passando por pratos principais de substância. Tem fotografias para todas as receitas, de Rui Bandeira, e a descrição daquelas é clara e detalhada o suficiente para que as possamos confecionar com sucesso.

 

Saber mais sobre "As receitas de Cristina Manso Preto" >>>> Livraria Bertrand

 

De seguida, deixo-vos a receita de Panacota de [lima] limão, perfeita para este setembro quente e luminoso.

 

Panacota de lima e limão

PANACOTA DE LIMA E LIMÃO

Adaptado do livro "As receitas de Cristina Manso Preto"

Para 6

 

Para as panacotas:

600 ml de natas (3 embalagens)

100 g de açúcar

3 pedaços de casca de limão

3 pedaços de casca de lima

1 colher de sopa de sumo de limão

1 colher de sobremesa de sumo de lima

4,5 folhas de gelatina (use uma tesoura para cortar a folha)

Folhas de hortelã para decorar (opcional)

 

Para o curd de lima e limão da cobertura*:

2 ovos L

50 ml de sumo de limão

50 ml de sumo de lima

120 g de açúcar

50 g de manteiga à temperatura ambiente

1 colher de sopa de raspa de limão e lima

 

*O livro tem uma receita ligeiramente diferente para a cobertura, um pouco mais complexa, e por isso decidi seguir a minha receita infalível de lemon curd, numa variação com lima.

 

Comece por fazer o curd de lima e limão: num tachinho, leve ao lume os ovos bem batidos com o açúcar e o sumo de lima e limão. Vá mexendo até engrossar, o que deve demorar cerca de 10 minutos.

Junte as raspas de lima e limão e a manteiga. Mexa bem, verta para frascos bem limpos, tape, deixe arrefecer e leve ao frigorífico.

 

Para as panacotas, leve as natas ao lume com as cascas e o açúcar.

Deixe aquecer bem, mexendo com uma vara de arames, mas não deixe ferver.

Retire do lume, e deixe repousar com as cascas, para ganhar sabor, cerca de uma hora.

Entretanto demolhe a gelatina em água durante 5 a 8 minutos. Escorra e reserve.

Esprema o limão e a lima nas quantidades pedidas. Reserve.

Retire as cascas da mistura de natas e leve de novo ao lume até aquecer bem, mas sem atingir o ponto de fervura.

Desligue o lume e junte a gelatina escorrida e o sumo de lima e de limão. Mexa bem com as varas.

Verta para formas adequadas (usei umas formas de queque metálicas com revestimento anti-aderente) ou frasquinhos. Deixe amornar e leve ao frio para solidificar.

Quando for para servir, se tiver usado formas, mergulhe-as rapidamente em água quente e vire-as para um pratinho. Espere alguns minutos e abane, segurando bem no prato junto à forma, caso não tenha descido naturalmente.

Sirva com o curd de lima e limão e decore com folhas de hortelã.

Ah! Pode usar o curd que sobrar para rechear um bolo, comer com scones ou com iogurte [ou simplesmente comer às colheradas, mas vamos fazer de conta que eu não disse isto 😁].

 

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29
Ago19

Tarte de Amêndoa saudável [Diz-me o que lês #7]

Livro de receitas 'Mais Pitada do Pai'

Tarte de Amêndoa saudável

Com 110 mil fãs no Facebook, 77 mil seguidores no Instagram e um segundo livro que já vai na segunda edição, tendo chegado ao top das principais livrarias do país, Rui Marques e o projeto "A Pitada do Pai" dispensa apresentações.

 

Desconfio que não há ninguém [pelo menos nenhum pai ou mãe com crianças pequenas que se preocupem com a sua alimentação], que não conheça e não seja fã do Rui e das suas receitas simples e saudáveis. Receitas que não se restringem a um regime alimentar específico. Gosto da sua abordagem "abrangente" e identifico-me com ela. Na cozinha da Pitada do Pai come-se de tudo, sem fundamentalismos, mas com moderação e plena consciência da importância das boas escolhas. Pela nossa saúde e pela saúde do nosso planeta.

 

E assim está feita a introdução ao "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes" desta semana, que como já deu para perceber é sobre o segundo livro do Rui, "Mais Pitada do Pai" . No entanto, se quiserem avançar já para a receita de tarte de amêndoa saudável - uma das receitas doces do livro -  é só fazer deslizar o rato ou o dedo até à parte final do post.

 

Como sempre, contei com o apoio da Livraria Bertrand online [onde podem comprar o livro com desconto em cartão e portes grátis!].

 

Livro "Mais Pitada do Pai"

Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #7

"Mais Pitada do Pai" - Rui Marques - Editora IN/Zero a Oito

 

O livro começa com alguns testemunhos sobre as receitas do Rui e o seu contributo para um dia a dia familiar descomplicado, seguindo-se o prefácio escrito pelo Chef Kiko. Depois, o autor fala-nos sobre a sua maneira de ver a cozinha e a alimentação, conta-nos um pouco sobre o seu percurso e de como surgiu o projeto [sabiam que antes de dar início ao blog, Rui Marques chegou a pesar 120 quilos?].

 

Há ainda algumas sugestões que ajudam a simplificar o ato de cozinhar todos os dias, como manter o frigorífico arrumado, evitar o desperdício e cozinhar de uma vez para várias refeições. Sem esquecer a importância de dar o exemplo aos mais novos, não desistindo de lhes ir mostrando novos sabores.

 

As receitas surgem agrupadas nas categorias de "Entradas", "Molhos", "Jantares", "Sobremesas", "Marmitas", "10 Minutos" e Pequeno-almoços". Os ingredientes utilizados são variados, desde os mais tradicionais (incluindo peixe e carne) a outros mais "alternativos", como as sementes de chia, a farinha de linhaça ou o xarope de tâmaras. Mas, na generalidade, são receitas com produtos comuns e económicos, que se encontram em qualquer mercearia ou supermercado.

 

Livro de receitas 'Mais Pitada do Pai'

 

O azeite, os legumes, a fruta, os cereais integrais, os frutos secos e as leguminosas são presença assídua ao longo das quase 200 páginas do livro, onde podemos encontrar versões mais saudáveis de pratos clássicos, como o Bacalhau com natas, a Açorda de marisco (feita com aveia em vez de pão), o Salame de chocolate ou a Tarte de amêndoa cuja receita encontram mais abaixo. Nas sobremesas, não há açúcares refinados, privilegiando-se o açúcar de coco e outros adoçantes menos 'vazios' de nutrientes do que o açúcar branco.

 

A maior parte das receitas contém dicas e propostas para aproveitar as sobras ou fazer variações, e no final do livro há um quadro com sugestões de receitas de pequeno-almoço, almoço e jantar para quinze dias. São dois menus semanais com receitas do livro, que ajudam quem gosta de planear as refeições sem perder muito tempo a pensar no que vai cozinhar. 

 

Acredito que quem esteja demasiado preso à cozinha convencional, onde são frequentes os refogados apurados ou as sobremesas calóricas, comece por estranhar estas receitas mais leves, mas o tom do livro é tudo menos fundamentalista e convida a ir-se experimentando e introduzindo aos poucos as opções mais saudáveis - se possível em família, para que todos possam usufruir e motivar-se mutuamente ao longo do processo.

 

Resumindo: o livro "Mais Pitada do Pai" é um livro prático e despretensioso, que reflete o estilo de cozinha a que o Rui já habituou os fãs do blog. Tem um design simples, mas funcional [ainda que lhe falte um índice completo das receitas e a indicação do rendimento/nº de doses ou pessoas para cada receita]. As receitas são fáceis e variadas, adequadas às diferentes refeições ao longo do dia. Há fotografias para todas as receitas, da autoria de Teresa Aires, e o tom da escrita é próximo, genuíno e descontraído.

 

Saber mais sobre o livro >>>> Bertrand Livreiros - Livraria online

E agora, vamos à tarte de amêndoa saudável do Rui? Bem, na verdade a minha ficou mais bolo...

 

Tarte de Amêndoa saudável

Tarte de Amêndoa saudável

TARTE DE AMÊNDOA [SAUDÁVEL]

Receita original no livro "Mais Pitada do Pai"

 

Para a base:

1/2 chávena de farinha de arroz

2 ovos

1 maçã ralada

Raspa de 1 laranja

 

Para o recheio:

1,5 chávenas de tâmaras (cerca de 200 g)

1/2 chávena de miolo de amêndoa aos palitos + algumas para decorar (opcional)

1 chávena de água a ferver

 

Ligar o forno nos 180º.

Para a base, triturar todos os ingredientes num robot de cozinha e verter sobre uma tarteira untada previamente (como a receita não tinha qualquer indicação sobre o tamanho das formas - na fotografia da receita original estão minitartes - acabei por usar uma forma redonda com aro amovível pequena, com 16 cm de diâmetro, e acabou por ficado mais alta do que uma tarte convencional).

Levar ao forno cerca de 10 a 12 minutos, consoante a altura da massa (que na verdade é mais parecida com massa de bolo do que com massa de tarte).

Entretanto, colocar as tâmaras no robot e adicionar uma chávena de água a ferver. Deixar repousar alguns minutos para que amoleçam e depois triturar.

Juntar a amêndoa e triturar.

Retirar a base do forno e verter por cima desta a mistura de tâmaras e amêndoa.

Alisar e levar ao forno durante cerca de 12 a 15 minutos (mais uma vez, irá depender da altura da camada, quanto mais alta, mais tempo de forno necessita).

A meio da cozedura, espalhar mais algumas amêndoas palitadas por cima, para que fiquem tostadas.

Retirar e deixar arrefecer antes de partir e servir.

 

Nota: não é uma tarte consensual; enquanto o provador-mor cá de casa adorou à primeira garfada, eu estranhei e só depois entranhei 😉

 

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23
Ago19

Gratinado de Gnocchi e Salada de Curgete e Ervilhas [Diz-me o que lês #6]

Livro de Matt Preston

Gratinado de Gnocchi e Salada de Curgete e Ervilhas

 

Se dúvidas houvesse, pelo menos para quem me segue há menos tempo ou de forma mais esporádica, a rubrica "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes" - que conta com o apoio da Livraria Bertrand - prova que cá em casa se come de tudo e se gosta de experimentar tudo.

 

A semana passada trouxe um livro "vegan". Hoje, o livro não podia ser mais diferente. Ainda que também inclua opções vegetarianas, no segundo livro traduzido para português de Matt Preston [um dos famosos jurados do MasterChef Austrália] não faltam receitas que incluam proteína animal.

 

Falo do "Delicioso, Fácil, Rápido" - um livro portentoso, cheio de cor e sabor.

[Se quiserem ir já para as receitas, é só fazer scroll 😉]

 

Livro de Matt Preston

Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #6

"Delicioso, Fácil, Rápido" - Matt Preston - Casa das Letras

 

Este é um "senhor livro". É grande e pesado, ou seja, não é dos livros mais práticos para consultar enquanto se cozinha [Dica: tirem uma foto com o telemóvel à receita que querem fazer e usem aquele em vez do livro 😁].

Aqui, estão quase 300 páginas de puro entretenimento. Sim: o livro vale para além das suas receitas, sobretudo para quem aprecia aspetos como o tom da escrita, a qualidade das fotografias ou o design gráfico. Quem segue o MasterChef Austrália sabe que Matt é um tipo com uma presença incrível e um humor refinado, e isso sente-se no livro.

 

Por falar no programa, imagino que saibam que a próxima temporada deste célebre concurso televisivo já não irá contar com o famoso trio de apresentadores. Depois de uma alegada negociação frustrada entre a produtora e os jurados,  foi anunciado que o trio emblemático irá deixar o programa, após 11 temporadas de enorme sucesso. Notícias dão conta, porém, que o abandono se deveu a uma situação desconfortável e polémica protagonizada por George Calombaris, outro dos emblemáticos jurados. Apesar de não ter seguido as últimas edições do programa, fiquei um pouco triste e desiludida, sobretudo a ser verdade o que os media dizem de Calombaris. Os apresentadores eram a alma daquele programa e estou curiosa para ver quem os vai substituir.

Salada de Curgete e Ervilhas

 

Voltando ao livro. A capa promete que as refeições demoram "30 minutos ou menos a preparar". E a "rapidez" é mesmo um atributo destacado no título. Mas atenção: não confundam "30 minutos a preparar" com "ficarem prontas em 30 minutos" [há ainda o tempo de cozedura e, muitas vezes, o tempo de repouso para a marinada].

 

Mesmo sem prestar grande atenção à legenda do início das receitas (onde surgem todos os "tempos" necessários), é fácil ver pela quantidade de ingredientes e pela descrição, que o ponto forte da generalidade das receitas não é, definitivamente, a rapidez  [ainda que as que reproduzo neste post sejam simples e relativamente rápidas - por isso as escolhi, que eu sou bem preguiçosa 😆].

 

Mas para quem gosta de ler livros de cozinha como se fossem romances [☝️], isso não é uma coisa má. E a verdade é que o livro apresenta algumas receitas mesmo fáceis e apetitosas. Na verdade, apetitosas parecem todas! A qualidade da fotografia, styling incluído, é excelente e a consequência é ficarmo-nos a babar ao folhear o livro.

 

E depois há o tom divertido com que Matt escreve (será mesmo ele ou será um ghost writer?), como as introduções cómicas feitas a cada receita. E há ainda o fantástico design gráfico do livro: rico e suculento, como uma boa receita de comida de conforto.

 

Gratinado de Gnocchi

 

Este não é um livro de uma pessoa só. Uma produção destas é impossível ser feita apenas pelo autor, como muitas vezes acontece em Portugal. É um projeto cujo investimento envolvido por certo nos faria corar. O que se entende, tendo em conta a visibilidade de Matt e o potencial de distribuição à escala global. Aliás, o trabalho de equipa está espelhado na página dos agradecimentos, onde se percebe que Matt Preston esteve rodeado de profissionais, da fotografia ao desenvolvimento das receitas, do styling à confeção das mesmas. O resultado é um livro muito consistente e apelativo, mas que para mim tem um defeito enorme: só tem receitas salgadas 🤪!

 

Resumindo: "Delicioso, Fácil, Rápido" é um livro fantástico de receitas salgadas, sobretudo para quem gosta de receitas que misturam 'cozinhas' com um toque de contemporaneidade. A enorme quantidade de receitas (a capa fala em 127 refeições, mas acho que o número total de receitas, contando com saladas e outros acompanhamentos, supera este número) é uma das suas virtudes, bem como a variedade ao nível de categorias, ao incluir pratos principais, acompanhamentos, 'pratos de festas', carne, peixe, vegetarianas, 'para comer no sofá', 'para usar sobras', 'para impressionar', etc. O design e a fotografia merecem nota máxima.

Definitivamente, um livro que nos empurra para a cozinha, mas que também se come com os olhos.

 

Saiba mais sobre o livro "Delicioso, Fácil, Rápido" >>> Livraria Bertrand online

 

Seguem-se as receitas!

Gratinado de Gnocchi e Salada de Curgete e Ervilhas

GRATINADO DE GNOCCHI COM SALADA DE CURGETE E ERVILHAS

Ligeiramente adaptado do livro "Delicioso, Fácil, Rápido" de Matt Preston

 

Para o gratinado:

(6 pessoas)

 

2 embalagens de gnocchi pré-feitos (500 g cada - na secção das massas)

70 g de manteiga

Cerca de 650 ml de leite

50 g de farinha sem fermento

70 g de queijo parmesão ralado

40 g de queijo cheddar ralado

1 colher de sopa de cebolinho picado

Pimenta preta acaba de moer

Cerca de 100 g de bacon em cubos ou às tirinhas

 

 

Para a salada:

2 chávenas de ervilhas congeladas

1 curgete finamente fatiada

Cerca de 1/2 chávena de nozes

3 colheres de sopa de salsa

2 colheres de sopa de azeite extravirgem

1 colher de sopa de sumo de limão

1 pitada de sal

Pimenta preta acabada de moer

 

 

Para os gnocchi, coza-os de acordo com as instruções da embalagem.

Escorra-os e reserve-os.

Ligue o forno nos 180º (ou 160º ventoinha)

Faça um béchamel, levando a derreter a manteiga num tacho. Junte a farinha e deixe cozinhar alguns minutos. Depois vá acrescentando o leite, mexendo sempre e cozinhando até obter um creme homogéneo.

Adicione os queijos, mexa bem e tempere com pimenta preta preta acabada de moer.

Retifique o sal, se achar necessário.

Envolva os gnocchi neste creme e coloque o preparado num ou mais recipientes próprios para forno.

Espalhe o bacon e leve ao forno durante cerca de 30 minutos ou até ficar dourado e a borbulhar.

Sirva com a salada.

 

Para a salada, mergulhe as ervilhas em água a ferver durante uns dois ou três minutos e passe-as por água fria para parar a cozedura. Passe-as para a taça de servir, junte os restantes ingredientes, envolva bem, para espalhar o tempero e está pronta a servir.

 

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14
Ago19

Bombons "Ferrero" saudáveis [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #5]

Bombons "Ferrero" saudáveis

Livro "Desafio Vegan em 15 dias"

 

Apesar de não estar nos meus planos mais próximos tornar-me vegetariana ou vegana, há algo que já tenho vindo a implementar nas refeições cá de casa: menor consumo de carne, sobretudo de carnes vermelhas. E fazemos muitas vezes refeições ovolactovegetarianas.

Tenho sérias dúvidas de que se conseguisse um equilíbrio sustentável se todos nos tornássemos vegetarianos ou veganos, mas reconheço que é preciso uma mudança no paradigma da alimentação ocidental.

A escolha do livro desta semana, "Desafio Vegan em 15 Dias", de Filipa Range, está relacionado com esta consciência e com a vontade de aprender mais sobre o veganismo (que é bastante mais do que uma dieta alimentar), mas também com o facto de gostar de experimentar receitas diferentes, que fujam da minha zona de conforto.

 

Livro "Desafio Vegan em 15 dias"

Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #5

"Desafio Vegan em 15 dias" - Filipa Range - Editora Influência

Este não é o primeiro livro de Filipa Range, autora do blogue "A Cozinha Verde", nome que serviu de título ao seu primeiro livro de receitas. Confesso que não conhecia a Filipa nem o seu trabalho (a não ser de ver os seus livros à venda), mas era uma tremenda falha minha. 

Nota-se que a Filipa acredita verdadeiramente nas suas escolhas e o livro está repleto de informação, validada pela nutricionista Sandra Gomes da Silva.

 

Apesar do conceito do livro assentar num "desafio", apresentando receitas para 15 dias de alimentação vegana, com cinco receitas por dia - pequeno-almoço, snack da manhã, almoço, snack da tarde e jantar - é perfeitamente possível escolher as receitas aleatoriamente ou de acordo com os ingredientes que mais apreciarmos ou quisermos introduzir, uma vez que o livro destaca vários alimentos, fala-nos das suas propriedades e da melhor forma de os utilizar, e indica-nos ainda que receitas do livro podemos confecionar com esses mesmos alimentos.

 

Bombons "Ferrero" saudáveis

Um dos aspetos de que mais gosto do livro é o facto de haver muitas receitas que são versões veganas de receitas tradicionais portuguesas ou de pratos 'internacionais' intemporais, como por exemplo o "Arroz do Mar" (feito obviamente sem peixe!), a "Carbonara de Abacate", os "Donuts", os "Hambúrgueres de Quinoa", o "Sushi", a "Canja de pleurotos e millet", a "Feijoada de três cogumelos", a "Omelete de grão" (sem ovos, claro!) e o "Bife de Seitan à Portuguesa", entre outros.

 

Acredito que estas versões ajudem bastante nos casos em que a ligação aos sabores tradicionais ou aos doces mais pecaminosos, estejam a impedir uma mudança a nível alimentar - seja ela ligeira, gradual ou definitiva.

 

O livro termina com 5 receitas extra, perfeitas para um brunch e desenvolvidas em parceria com a blogger Ana Gomes, aka "A melhor amiga da Barbie", que também assina o prefácio.

 

Resumindo: "Desafio Vegan em 15 dias" é um livro bem estruturado e bem escrito. Apresenta um design simples mas cuidado e funcional e, de uma maneira geral, boa fotografia (da autoria de Mário Cerdeira). As receitas, dentro da sua especificidade (veganas), são apelativas e estão bem descritas, para além de serem bastante variadas, quer em termos de ingredientes, quer em termos de "categorias", com opções para todos os momentos do dia.

Para saber mais, espreite o livro na livraria Bertrand online.

 

Ah! Quanto à receita escolhida para mostrar aqui - estas trufas que fazem lembrar os famosos "Ferrero Rocher" - ficaram aprovadíssimas. Na semana passada, no Instagram, perguntei se nesta edição do #dizmeoquelês queriam uma receita doce ou salgada, e quem venceu a sondagem foram os doces, por isso, aqui está ela!

Bombons "Ferrero" saudáveis

BOMBONS “FERRERO” SAUDÁVEIS

Ligeiramente adaptado do livro “Desafio Vegan em 15 dias”

 

Para cerca de 18

Avelãs: 1 chávena + 18 inteiras + cerca de 3/4 de chávena picadas

1/4 de chávena de cacau em pó (cacau ‘cru’ em pó na receita original)

1 pitada de sal marinho

1/4 de chávena de geleia de coco (xarope de ácer na receita original)

100 g de chocolate negro 70% cacau

 

Comece por retirar a pele às avelãs: leve-as a tostar no forno durante alguns minutos - ou ao lume numa sertã antiaderente - mexendo de vez em quando para não queimarem. Embrulhe-as num pano de cozinha limpo e esfregue o ‘embrulho’ na bancada da cozinha, para fazer soltar as peles.

 

Coloque uma chávena de avelãs no processador de alimentos e triture até obter uma manteiga, o que deve demorar entre 5 a 10 minutos, dependendo da potência do processador: vá baixando com a espátula as avelãs que ficam nas paredes do copo entre cada pulsar.

Junte o cacau, o sal e o adoçante (no meu caso, usei geleia de coco) e processe mais um pouco, envolvendo bem.

Se achar que a massa ficou um pouco mole, leve ao frigorífico para ganhar consistência (eu não necessitei, a minha massa ficou pronta a moldar).

Com as mãos húmidas, pegue em pedaços de massa e molde pequenas bolas do tamanho de brigadeiros (ou de Ferrero Rocher 😉), colocando uma avelã inteira no interior e fechando a bolinha.

Derreta o chocolate negro em banho-maria e mergulhe aí uma bolinha de cada vez, envolvendo-a em seguida na avelã picada. Coloque a secar sobre papel vegetal. Se a avelã picada não chegar, pode envolver em coco ralado.

Se for oferecê-los, coloque-os em forminhas de papel.

Conservam-se no frigorífico durante uma semana, podendo ainda congelá-los.

 

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01
Ago19

Rolos de limão e baunilha [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #4]

Rolos de limão e baunilha

Livro "Pão Caseiro"

Rolos de limão e baunilha

Mais uma semana, mais um livro, mais uma receita!

Esta é já a 4ª edição do "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes", uma rubrica Lume Brando com o apoio da Livraria Bertrand [em cuja loja online podem encontrar todos os livros de que falo aqui!]

 

Apesar de não ser algo que faça com regularidade, gosto muito de cozer pão em casa. E os livros com receitas de pão exercem sobre mim um poder especial. Fico sempre a sonhar com o dia em que vou ter tempo para cozer fornadas e fornadas de pães maravilhosos. Ainda por cima, o livro de hoje, da autoria da sueca Maria Blohm, tem uma capa linda, que chama imenso a atenção. Tão difícil resistir a levá-lo para casa, como dizer 'não' a uma fatia de pão fresco barrada com manteiga...

 

Livro "Pão Caseiro"

"Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes" #4

"Pão Caseiro" - Maria Blohm - ArtePlural Edições

"Mas a receita nas fotos não é um pão!", exclamam vocês e com razão. É que o livro tem muito mais do que receitas variadas de pão: tem imensos pães "doces", como estes rolos de limão e baunilha, mais do que uma receita de croissants, tem alguns bolos suecos, focaccia e massas de pizza.

 

[Na verdade, também já experimentei uma receita de pão deste livro - "Bolas com Alperces e Nozes", que ontem partilhei no Instagram e que publicarei aqui noutro post].

 

Informação útil! O livro tem ainda um capítulo dedicado a receitas de pão e bolinhos sem glúten - de pão de hambúrguer a tortilhas, passando por rolinhos de canela - o que pode ser bastante útil, mesmo que não tenhamos necessidade de eliminar o glúten da nossa dieta.

 

Rolos de limão e baunilha

 

Se a ideia de fazer pão vos assusta devido ao tempo de repouso das massas, este livro abre uma nova e risonha perspetiva: é que apesar do livro tratar de fermentações lentas (o que permite acentuar os sabores e as texturas), o tempo de fermentação das receitas permite-nos inserir facilmente o hábito de cozer pão nas nossas rotinas: preparar a massa à noite para cozer de manhã ou preparar de manhã para cozer antes do jantar, por exemplo.

 

O único senão do livro é o facto de em Portugal as farinhas disponíveis nos supermercados serem um pouco diferentes das farinhas utilizadas pela autora. Na versão portuguesa do livro apenas surge o nome traduzido das farinhas, mas não nos é dito nada sobre como substituir essa farinhas.

 

Por exemplo: a farinha de trigo mais utilizada pela autora é "farinha especial". Ora, que eu tenha conhecimento, nós não temos nenhuma farinha com este designação a ser comercializada por cá. Maria Blohm explica que é uma mistura entre farinha proveniente do trigo do outono e farinha do trigo da primavera, mas isso não nos ajuda muito. Outra farinha pedida em algumas receitas, é a "farinha de trigo duro", que eu só conheço por ser o ingrediente das massas secas.

Rolos de limão e baunilha

Um pouco perdida na hora de pôr a mão na massa, resolvi enviar uma mensagem via IG à autora. Que foi muito simpática e me disse que a principal característica da "farinha especial" era ter um percentagem maior de proteína (11% a 12%), quando comparada com a farinha dos bolos (9-10%). Disse-me que poderia substituir por uma "strong flour" ("farinha forte", outra designação que não temos) ou, em último caso, para usar a farinha que eu já costumava usar para fazer pão. Por curiosidade, fui consultar o rótulo da farinha T65 que tinha em casa (a farinha que mais uso para pão e massas de pizza) e a percentagem de proteína era de 10% (exatamente igual à da farinha T55, a dos bolos...).

 

Ok, não há de ser nada, vamos a isso. Toca a fazer as receitas com as farinhas disponíveis.

E não é que apesar de ter achado que as massas ficaram um pouco pegajosas (tanto as destes rolos de limão, como a do pão de alperce e nozes que mostrei no Instagram), a coisa acabou por correr mesmo bem? Saíram ótimos, com textura e sabor aprovadíssimos.

 

Por isso, a minha mensagem para quem tem ou quer comprar este livro, é a de que as receitas valem a pena, mesmo que a coisa pareça que vá descarrilar... mantenham a calma e a confiança, continuem a receita mesmo que tenham de juntar um pouco mais de farinha (sem exagerar!) e vão ver que os pães e os bolos irão sair deliciosos.

[Atualização - a farinha de espelta que tenho em casa tem 12% de proteína. Acho que a partir de agora vou usar esta, sempre que as receitas do livro pedirem "farinha especial"].

Livro "Pão Caseiro"

 

Resumindo: "Pão Caseiro" é um livro com um design simples mas bastante atrativo, e fotografias (para todas as receitas) muito cuidadas e bonitas. É um livro sobre "fermentações lentas", ainda que as receitas peçam apenas fermento fresco ou seco e não "isco" ou "massa-mãe". No início a autora tece algumas considerações sobre os ingredientes e explica porque é importante darmos tempo às massas para levedar. São cerca de 50 receitas variadas, apelativas e relativamente bem descritas, incluindo algumas receitas sem glúten. Algumas farinhas e ingredientes poderão ser difíceis de encontrar, mas não me parece complicado adaptar e substituir por farinhas e ingredientes mais comuns.

Para saber mais sobre o livro "Pão Caseiro" >>>> Livraria Bertrand Online

 

Vamos à receita de rolos de limão e baunilha?

Rolos de limão e baunilha

ROLOS DE LIMÃO E BAUNILHA

[ligeiramente adaptado do livro "Pão Caseiro", de Maria Blohm]

 

Rende 12 rolos grandes - 10 a 12h de levedação

Para a massa:

250 ml de leite frio

1/4 de colher de chá de fermento seco de padeiro (granulado)

75 g de açúcar

50 g de queijo quark

25 g de manteiga à temp. ambiente

1/4 de colher de chá de sal

25 g de farinha de espelta

425 g de farinha T65

 

Para o recheio:

75 g de manteiga à temp. ambiente

1/2 colher de sopa de açúcar baunilhado

1 pitada de sal

50 g de açúcar

Raspas de meio limão

 

Para a cobertura:

75 g de açúcar em pó

Sumo de limão qb

 

De véspera, prepare a massa.

Pese o leite na taça da batedeira e incorpore nele o fermento.

De seguida, pese os restantes ingredientes diretamente para a taça, colocando a balança a zeros entre cada ingrediente.

Mexa a massa com o gancho da batedeira durante 5 minutos (ou amasse à mão durante 10 minutos).

Numa taça, misture bem os ingredientes do recheio.

Transfira a massa para uma superfície enfarinhada (polvilhe as mãos e junte um pouco mais de farinha na massa, sem exagerar, se achar que está pegajosa).

Polvilhe o rolo e estenda a massa num retângulo com cerca de 30 cm x 15 cm.

Barre a massa com o recheio, deixando um pouco de margem livre à volta.

Enrole a massa (ao comprimento) e divida em 12 rolos.

Coloque-os num tabuleiro forrado com papel vegetal não demasiado apertado (os rolos vão aumentar de volume).

Cubra os rolos com um pano e depois envolva o tabuleiro num saco plástico.

Aponte as horas num post-it e cole no saco: assim, no dia seguinte sabe a que horas pode pô-los no forno. Deixe a levedar à temperatura ambiente entre 10h a 12h.

______________

Na manhã seguinte, após as 10h-12 horas de fermentação (a margem de 2 horas está relacionada com a temperatura ambiente - se estiver ameno vai precisar de cerca de 10h, se estiver mais frio irá precisar das 12h), pré-aqueça o forno nos 230º com a ventoinha ligada.

Tire o tabuleiro do saco, retire o pano e leve ao forno durante cerca de 13 minutos.

Se achar que está a dourar muito depressa, cubra com vegetal ou alumínio (eu reparei um pouco tarde 😅).

Entretanto prepare o glacé da cobertura: coloque o açúcar em pó numa taça e vá regando com sumo de limão e mexendo, até obter um creme branco brilhante e sem grumos.

Retire os rolos do forno e deixe arrefecê-los durante algum tempo antes de espalhar o glacê.

 

Post realizado com o apoio da Livraria Bertrand.

 

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31
Jul19

Tarte de Limão e Manjericão [a importância do círculo cromático na fotografia]

Tarte de limão e manjericão

Tarte de limão e manjericão

As aulas de Educação Visual já lá vão e talvez seja a longa distância temporal a justificação para não me lembrar de ter estudado o "círculo cromático".

Lembro-me de aprender que o branco "não é uma cor, porque é a soma de todas as cores" e de fazer girar na aula um "disco de Newton" para, precisamente, comprovar aquela afirmação. Mas é só.

 

Agora que tenho lido mais sobre fotografia, especificamente sobre fotografia de comida, e depois de ter feito o curso online com a Kimberly do The Little Plantation, percebi que este é um recurso muito útil e amplamente utilizado pelos fotógrafos. E claro, fiquei mais sensibilizada para a importância da conjugação das cores numa composição.

 

Esta roda colorida ou "círculo cromático" mostra-nos como as cores se relacionam umas com as outras, apresentando a relação entre cores primárias, secundárias e terciárias e mostrando ainda a variação de tons dentro de cada cor:

circulo cromatico.jpg

Fonte: dulux.com.au

- As cores primárias são o vermelho, o amarelo e o azul;

- As cores secundárias são também três, formadas a partir da combinação das primárias: o verde (amarelo e azul), o laranja (vermelho e amarelo) e o roxo ou violeta (azul e vermelho);

- As cores terciárias são seis: o vermelho-arroxeado, o vermelho-alaranjado, o amarelo-esverdeado, o amarelo-alaranjado, o azul-arroxeado e o azul-esverdeado, ou seja, são combinações entre uma cor primária e uma cor secundária;

- A posição das cores no círculo mostra-nos a relação entre elas: cores análogas (vizinhas no círculo) ou cores complementares (cores contrastantes que estão em lados opostos do círculo).

 

Na prática, a escolha de um ou de outro esquema de cores numa fotografia pode alterar completamente o seu mood. Um mesmo prato pode transmitir sensações completamente diferentes caso estejamos a usar uma paleta análoga ou complementar, tanto na própria comida como nos fundos e nos adereços.

 

Confesso que, até agora, a escolha das cores nas minhas fotografias respondia a um instinto, claramente ligado ao meu gosto pessoal (escolhia os fundos, os pratos, os panos e os talheres de acordo com o que eu gostava e achava que resultaria). Mas aos poucos começo a planear as sessões fotográficas tendo presente a "colour wheel".

Tarte de limão e manjericão

As imagens deste post são já resultado dessa abordagem. Escolhi o rosa para complementar o verde da tarte (e o verde do fundo horizontal), depois de consultar o círculo. Na verdade, não sei se não teria escolhido o rosa, caso não tivesse olhado para o círculo antes, mas, provavelmente, teria ficado com dúvidas e teria demorado mais tempo a tomar a decisão. Assim, o "círculo cromático" pode, pelo menos, tornar o processo de planeamento de um shooting mais fácil e rápido. Se gostam de fotografar a vossa comida, já sabem: o "círculo cromático" é um amigo a manter por perto. E se quiserem, façam como eu: gravem a imagem de uma "colour wheel" na galeria do telemóvel, e assim têm esta ferramenta sempre à mão 😉

 

Mas chega de teoria. Vamos à receita: uma tarte de limão e manjericão deliciosa, que descobri numa edição especial da revista francesa Saveurs. Se nunca experimentaram limão e manjericão juntos numa sobremesa, este é o pretexto perfeito para não adiarem mais.

Tarte de limão e manjericão

TARTE DE LIMÃO E MANJERICÃO

[Adaptado da revista Saveurs]

 

Para a base:

200 g de bolacha maria

100 g de manteiga derretida

 

Para o recheio:

100 g de açúcar

90 g de manteiga

3 ovos grandes

1 folha de gelatina

Raspa de 1/2 limão

60 ml de sumo de limão

1 chávena bem cheia de folhas de manjericão (cerca de 15-20 g)

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Triture a bolacha com a manteiga e forre o fundo de uma tarteira (cerca de 24 cm de diâmetro) com esta mistura, calcando bem.

Leve ao forno durante cerca de 10 minutos, para "prender".

Retire e deixe arrefecer.

Coloque a folha de gelatina a demolhar num prato fundo em água fria.

Numa taça, misture 50 g de açúcar com os ovos.

Num tachinho, leve ao lume o restante açúcar misturado com o sumo e a raspa de limão até levantar fervura.

Junte este preparado, em fio, à taça dos ovos, mexendo sempre com um batedor de varas.

Passe de novo para o tachinho e leve ao lume, mexendo sempre, até engrossar (como se fosse um lemon curd).

Junte a gelatina escorrida e envolva bem.

Adicione a manteiga em pedaços, deixe derreter e misture bem.

Deixe amornar e, por fim, junte o manjericão bem picado.

Envolva bem e verta sobre a tarte.

Leve ao frigorífico durante umas 4 horas, no mínimo, antes de servir.

 

GOSTA DE SOBREMESAS COM LIMÃO? ENTÃO, ESPREITE ESTAS TAMBÉM:

 

25
Jul19

Tarte de Natas [Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes #3]

 

Tarte de natas

Livro Jantamos Cá em Casa

Tarte de natas

E sai mais um livro de cozinha.

Ao terceiro "Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes", uma rubrica com o apoio da Livraria Bertrand, voltamos aos doces.

Não que o livro em destaque seja só de doces, nada disso. Mas já sabem que eu tenho um fraquinho por doces e sobremesas, por isso, na hora de escolher a receita, é difícil que não sejam os doces a levar a melhor.

Ao folhear o livro, esta tarte chamou-me a atenção por ser simples e por prometer ser deliciosa [o que veio a confirmar-se] ao assemelhar-se a um grande pastel de nata. Aliás, foi por isso que troquei a massa areada da receita original por massa folhada. Mas confesso que já tenho vários post-its colados no livro, tanto em sobremesas como em salgados e até numas barritas de cereais para pequeno-almoço.

Livro Hoje jantamos Cá em Casa

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #3

"Jantamos Cá em Casa" - Luís Machado - Verbo

 

Não conhecia o chef Luís Machado, até ter visto este livro na Feira do Livro de Lisboa. No subtítulo da capa podemos ler: "Receitas para partilhar com amigos". Ora, estas são palavras mágicas para o meus ouvidos 😁

 

Na breve descrição sobre o autor, na badana do livro, fiquei a saber que Luís Machado, de 41 anos, é chef numa das "mais conceituadas revistas de culinária nacionais". Fiquei curiosa, fui pesquisar e trata-se da Teleculinária. Para além disso, é licenciado em Cozinha e Produção Alimentar, trabalha como consultor para diversas marcas do setor, é formador em mais do que uma escola profissional, apresenta regularmente showcookings e é jurado em muitos concursos gastronómicos, incluindo em alguns programas televisivos. Tem ainda um blog, onde partilha receitas e dicas de culinária: www.luismachado.com 

Podem ainda seguir Luís Machado no facebook e no Instagram.

 

Quanto ao livro, não pensem que vão encontrar receitas de autor demasiado complexas e sofisticadas. Pelo contrário, são receitas simples e despretensiosas. E na verdade, o título engana um pouco, pois aqui irão encontrar muito mais do que apenas receitas apropriadas para um jantar. 

 

Se não me enganei a contar, são 74 receitas divididas em cinco capítulos: "Manhãs", "Almoço - Simples e Leve", "Ao fim da tarde", "Jantares" (onde são agrupados alguns menus com entrada, prato principal e sobremesa) e "Doces". Há um pouco de tudo. Vários clássicos, como "Peixinhos da Horta", "Amêijoas à Bulhão Pato", "Arroz de pato", "Tiramisu", "Molotof", "Pavlova", e também receitas mais contemporâneas, como "Sopa de Meloa com queijo-creme" ou "Snack de batata-doce crocante", sem esquecer algumas bebidas, incluindo uma "Sangria de Espumante e Frutos Vermelhos, perfeita para estes dias.

 

Resumindo: é um livro abrangente, que cobre os diferentes momentos de refeição ao longo do dia e várias tipos de convívio ou celebração. Ótimo para quem gosta de receber em casa e para quem quer estar munido de um bom leque de receitas de conforto, fáceis de preparar e de sucesso garantido [não testei todas as receitas, mas parecem estar bem escritas e detalhadas].

A fotografia não é o forte do livro [algumas imagens são bonitas, noutras a luz artificial faz-se notar], o que é compensado pelos pequenos textos introdutórios às receitas. Estes acrescentam valor, desvendando algumas facetas e hábitos do Chef Luís Machado e mostrando como para si, os amigos são uma parte fundamental dos seus dias. Como escreve o Chef Hernâni Hermida no prefácio, este "é um livro sobre o gosto e o prazer de cozinhar e também sobre a partilha de bons momentos onde se comemora a amizade."

 

Se quiser saber mais sobre o "Jantamos cá em casa", ou até comprá-lo, basta clicar aqui.

 

Segue a receita da Tarte de Natas, ligeiramente adaptada do livro.

Tarte de Natas

TARTE DE NATAS

[Ligeiramente adaptada do livro "Jantamos cá em casa"]

 

Para a base:

1 rolo de massa folhada (a receita original pede massa areada de compra)

 

Para o recheio:

200 g de açúcar

100 ml de água

6 gemas

200 ml de leite meio gordo

200 ml de natas para bater

50 g de farinha sem fermento

Canela em pó para servir (opcional - acrescento meu)

 

Colocar as gemas numa taça e batê-las com um garfo.

Num tacho, juntar o açúcar e a água e levar ao lume até obter um ponto de pérola fino (se têm dúvidas sobre os pontos de açúcar, sugiro que vejam este post com vídeo da Chef Rita Nascimento, aka La Dolce Rita).

Juntar a calda de açúcar, em fio, às gemas, mexendo sempre com um batedor de varas.

Entretanto, ligar o forno nos 200º.

No tacho, juntar o leite, as natas e a farinha, mexendo com o batedor de varas para dissolver bem. Levar ao lume, mexendo sempre, até engrossar, o que deve demorar, no máximo, uns 10 minutos.

Retirar do lume e juntar, em fio, à mistura das gemas, mexendo sempre. Reservar.

Forrar uma tarteira com a massa escolhida (usei uma tarteira com 24 cm de diâmetro e mantive o papel vegetal debaixo da massa). Picar o fundo.

Verter o recheio na tarteira e levar ao forno cerca de 40 minutos ou até estar bem dourada e o recheio firme.

 

Notas e dicas:

- No final da cozedura o meu recheio estava ainda claro e pouco "queimado" - na fotografia do livro, o topo da tarte faz lembrar o pastel de nata, com aquelas manchas escuras típicas; como não quis manté-la mais tempo no forno, com receio de que ficasse demasiado cozida e os rebordos de massa folhada demasiado escuros, acabei por fazer umas pequenas manchas já fora do forno, com um maçarico de cozinha;

- Quase no final da cozedura, a minha tarte empolou e abriu umas pequenas fendas no centro, talvez devido à massa folhada, que empurrou o recheio para cima; depois de sair do forno, ao arrefecer, a "bossa" acabou por desaparecer e as rachas ficaram discretas, como podem ver nas fotografias.

 

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Teresa Rebelo

foto do autor

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